Sacos com a Mesma Farinha

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Já tivera lido algures, em alguma ocasião, que a política é um assunto demasiado sério para ser deixado apenas para políticos. Perante a situação vivida no nosso país, não poderia concordar mais com tal afirmação.

De facto vivemos sob o jugo de uma “geração da distopia”; de facto temos um país de rastos, com uma economia fragilizada e com um sistema governativo no mínimo questionável; de facto estamos muito aquém de concretizar o potencial da nossa nação… É verdade, contra factos não há argumentos.

Contudo, a questão que advém de tais factos é a seguinte: o que fazer com relação às questões levantadas? Desculpando-me antecipadamente pela insolência, acredito que os políticos angolanos não demonstram nem noções, nem a capacidade de dar respostas às mesmas: enquanto uns negam contudentemente uma realidade irrefutável, outros personificam essas mesmas verdades, dando um carácter demoníaco ao suposto responsável destas. A minha sugestão para a resolução de tal situação consiste na criação de uma nova disciplina: engenharia política.

Durante a minha carreira estudantil, um dos didactas mais emblemáticos afirmou repetidamente que só nos tornaríamos verdadeiramente engenheiros quando entendessemos que tudo depende, que tudo é relativo… e actualmente não só entendo como também compartilho desta opinião. Esta característica infelizmente não é notável nos políticos angolanos. Adicionalmente, a aptitude de resolução de problemas dos nossos políticos deixa muito a desejar: de todos os lados, a atitude apresentada pode ser resumida em “ou é à nossa maneira, ou nada”, geralmente apoiada de leis ou recém elaboradas, ou incostitucionais, ou a serem aprovadas, e por aí em diante!

Um engenheiro político entende que, primordialmente, os interesses do POVO estão em primeiro lugar. Entende que na maior parte dos casos, as necessidades excedem os recursos disponíveis, entende que para haver mudanças devem haver sacrifícios. Muito além disso, tem a capacidade de definir prioridades em termos de alocação de recursos, a capacidade de determinar quais os sacrifícios necessários e de moldar esses mesmos elementos de acordo aos diferentes contextos vividos. Por fim, a característica fundamental de um engenheiro político, como a de qualquer engenheiro, é deter a habilidade de criar as ferramentas necessárias para o alcance dos seus objectivos.

Infelizmente, o nosso governo ainda usa, desnecessáriamente, práticas exageradamente autoritárias para assegurar a sua preeminência. Infelizmente, a nossa oposição é totalmente dependente das deficiências do governo actual, nunca agindo, com grande significância, de uma maneira autónoma, excepto em raras ocasiões. O nosso governo usa da força bruta e a nossa oposição chora pelos cantos, hora como uma criança sensível, hora como um adolescente rebelde. Enquanto o governo censura  a liberdade de expressão, a oposição defende a liberdade de expressão de um povo analfabeto, que pode muitas das vezes nem ter a capacidade de determinar o melhor para si. Os problemas nunca são endereçados, quanto mais resolvidos. Os interesses pessoais nos dois lados se sobrepõem-se aos interesses do povo. A luta política resume-se à uma elite de um lado arrogante e de outro ressentida, geralmente com alto nível acadêmico, que ignora as verdadeiras necessidades do povo analfabeto, que ao invés de casas, estradas e até mesmo escolas e tudo mais, neste momento necessita prioritáriamente de conhecer, e mais importantemente exercer os seus deveres e exigir os seus direitos de forma consciente, sem precisar que terceiros determinem os seus destinos constantemente ao invés de representarem na realidade o seus interesses.

Falo para cidadãos como cidadão: tendo como referência a activadade política actual no país, eu, particularmente, não me revejo nos políticos da nossa praça, tanto os do partido no poder como os da oposição. Eu não acredito que eles têm o meu interesse como sua prioridade. Eu respeito personalidades como Adolf Hitler, e mais localmente Jonas Savimbi, porque não obstante a sua aparente demência, eles são exemplos vivos da engenharia política descrita acima. Eu respeito personalidades como Mfulupinga Lando Victor, pois para além de defender o meu direito à uma casa, uma escola, um professor, ele me fazia entender porquê deveria usufruir destes direitos, como também as razões pelas quais isto não acontecia, fossem elas quais fossem. Em suma, precisamos de instrução para falarmos por nós e não de um grupo de interesse que determine as nossas necessidades. Em nenhuma ocasião os políticos alcançaram progresso; isso é o dever e direito do povo. Tal como não cabe a Deus atingir a salvação mas sim guiar os crentes à este caminho, os políticos devem estar cientes do seu papel como meros guias do povo, atribuindo-lhe as características necessárias para o alcance da sua “terra prometida”.

Nas vêsperas de mais um pleito eleitoral, a falta de respeito dos partidos políticos para com o povo é grotesca. A arrogância e o egoísmo dos mesmos é gritante. A indefernça para com a real situação do povo é evidente embora com esforços para a desfarçar. A maioria de nós são apenas números. Os nossos interesses apenas recebem atenção se forem totalmente pró ou contra o governo. Devemos pertencer à uma elite ou ser agredidos em manifestações para sermos considerados na verdade. Infelizmente esta é a realidade… É verdade, contra factos não há argumentos. E perante isso eu pergunto: POVO, o que fazer com relação às questões levantadas?

Victor de Barros

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~ por Havemos de Voltar em Abril 1, 2012.

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