Leitura da Manhã: Discurso do Presidente José Eduardo dos Santos na reunião do Comité Central do MPLA

Integra do discurso proferido pelo Presidente José Eduardo dos Santos, na abertura da I Sessão Extraordinária do Comité Central do MPLA

Luanda, 15 de Abril de 2011

“CAROS CAMARADAS,

Quando éramos jovens, no tempo do colonialismo, sabíamos que a luta de emancipação dos povos era conduzida através de movimentos sindicais, de partidos políticos ou de movimentos de libertação nacional, que tinham como principais animadores líderes e pessoas de grande prestígio e capacidade, muito conhecidas na sociedade.

Esses líderes tinham ideais, programas e estratégias de luta, que divulgavam para conhecimento de todos, os quais definiam claramente o inimigo e determinavam quais eram as forças aliadas.

Nessa conjuntura, que durou mais ou menos até à década de 80 do século passado, foi conduzida com êxito em África a luta de libertação nacional dos povos, que pôs fim ao colonialismo francês, britânico e português.

Na fase seguinte, vários países entraram em processos revolucionários que culminaram com a escolha do desenvolvimento não capitalista para as respectivas nações e a organização de Estados ou sistemas políticos de partido único, em que a base do sistema económico era o capitalismo de Estado erigido na base de um conjunto de empresas do Estado.

Nalguns casos, como foi o nosso, o processo revolucionário teve carácter de classe e levou à tentativa de configuração de uma ditadura democrático-revolucionária, com um sistema de governo socialista baseado no plano económico único e na direcção centralizada da economia.

Estes dois modelos não vingaram, porque não foram capazes de proporcionar o exercício das liberdades e garantias fundamentais e o advento da prosperidade económica e social.

No fim dos anos 80 e começo dos anos 90, teve início a revolução pela democracia representativa e a economia de mercado em quase todo o continente africano, seja através das chamadas ‘Conferências Nacionais Soberanas’, seja por outras vias e formas.

Desse movimento surgiram os processos democráticos que estão hoje em curso em quase todos os países em que o Presidente, o Governo e os Deputados são regularmente eleitos pelo povo.

Esses processos democráticos baseiam-se, entre outros, no princípio da alternância democrática, o que quer dizer que os dirigentes e deputados que estão a governar disputam em eleições os votos dos eleitores, com as pessoas indicadas pelos partidos da oposição, e quem conseguir a maioria desses votos ganha o direito de governar no período seguinte.

Quando os que estão no poder ganham, há continuidade. Quando os que estão na oposição ganham, há alternância democrática do poder, porque os que lá estavam saem.

Hoje há uma certa confusão em África e alguns querem trazer essa confusão para Angola.

Devemos estar atentos e desmascarar os oportunistas, os intriguistas e os demagogos que querem enganar aqueles que não têm o conhecimento da verdade. Temos que ser mais activos do que eles para vencermos a batalha da comunicação da verdade.

Nas chamadas redes sociais, que são organizadas via Internet, e nalguns outros meios de comunicação social fala-se de revolução, mas não se fala de alternância democrática.

Para essa gente, revolução quer dizer juntar pessoas e fazer manifestações, mesmo as não autorizadas, para insultar, denegrir, provocar distúrbios e confusão, com o propósito de obrigar a polícia a agir e poderem dizer que não há liberdade de expressão e não há respeito pelos direitos.

É esta via de provocação que estão a escolher para tentar derrubar governos eleitos que estão no cumprimento do seu mandato.

Eles não querem que se aplique o princípio da alternância democrática, também no nosso país, porque têm medo das próximas eleições de 2012, pois sabem que a maioria dos eleitores não vai votar a favor deles.

O que eles pretendem fazer não é a revolução. Chama-se confusão, subversão da democracia ou da ordem democrática estabelecida na Constituição da República.

Quais são os argumentos que usam? Dizem, por exemplo, que há pobreza no país.

Nunca ninguém disse que não há e esta situação não é recente. Quando eu nasci e mesmo quando os meus falecidos pais nasceram já havia muita pobreza na periferia das cidades, nos musseques, no campo, e nas áreas rurais.

Agostinho Neto falou nos seus versos da miséria extrema dos musseques, das casas de lata sem água nem luz eléctrica.

António Jacinto, outro poeta proeminente, falou do contratado, cujo pagamento era fuba e peixe seco e ‘porrada’ quando se refilava.

Foi no musseque e no campo, nesse mundo de pobreza, que a maior parte de nós nasceu, cresceu e forjou a sua personalidade.

Conhecemos a origem da pobreza em Angola. Não foi o MPLA nem o seu Governo que a criou. Esta é uma pesada herança do colonialismo e uma das causas que levou o MPLA a conduzir a nossa luta pela liberdade e para criar o ambiente político necessário para resolver esse grave problema.

Infelizmente, as guerras que assolaram o país agravaram a situação, mas se consultarmos as estatísticas veremos que, com a conquista da paz em 2002 e graças ao trabalho do nosso Governo, os índices de pobreza que estavam em cerca de 70 por cento em 2002, baixaram oito anos depois, em 2010, para cerca de 37 por cento, quase metade!

Temos um programa de luta contra a pobreza e, se continuarmos com esse ritmo de redução, esse problema deixará de existir dentro de alguns anos.

Dizem, por outro lado, que não há liberdades, mas no país surgem cada vez mais partidos políticos, associações cívicas e profissionais, organizações não governamentais (ong’s), jornais privados, rádios comunitárias, etc.

Há dezenas de anos que membros de ong’s e jornalistas dizem e escrevem o que bem entendem, chegando alguns a ofender dirigentes e o Presidente da República e membros da sua família e, que eu saiba, nenhum deles está preso!

Diz-se também que no país há corrupção, mas não há país nenhum no mundo em que não há corrupção.

De qualquer modo, o nosso Governo está a fazer esforços para combater este mal.

Na Internet, alguém pôs a circular a notícia de que o Presidente de Angola tem uma fortuna de vinte biliões de dólares no estrangeiro.

Se essa pessoa fosse honesta e séria, devia indicar imediatamente ao Departamento de Inteligência Financeira do Banco Nacional de Angola (BNA) os nomes dos bancos e os números das contas em que esse dinheiro está depositado, para que o Tesouro Nacional possa transferir esse montante para as suas contas.

Mas isso não é nem será feito porque se usa a mentira, a intriga, a desinformação e a manipulação para dividir as forças patrióticas e afastar o povo do Governo, preparando deste modo as condições para executarem os planos de colocar fantoches no poder, que obedeçam à vontade de potências estrangeiras que querem voltar a pilhar as nossas riquezas e fazer-nos voltar à miséria de que nos estamos a libertar com muito sacrifício.

Caros Camaradas,

A mensagem a levar a todos os angolanos de boa fé sobre os nossos propósitos e sobre as nossas intenções deve ser clara, para que ninguém nos afaste do nosso rumo e do nosso processo democrático.

Quando o Povo, o Partido MPLA e o Governo estão juntos, a vitória está garantida.

Nós estamos num momento de reafirmação dos compromissos assumidos nas eleições de 2008.

O Bureau Político apreciou o relatório de avaliação do cumprimento das metas indicadas no Programa Eleitoral apresentado aos angolanos.

O resultado é satisfatório, mas poderia ser muito melhor se não fosse o efeito negativo que a crise económica e financeira internacional teve na economia nacional.

Temos ainda cerca de um ano e meio de mandato e esse tempo tem de ser bem aproveitado para realizarmos o máximo possível do que resta por fazer.

O relatório acima referido já foi endossado pela Comissão Preparatória do IV Congresso Extraordinário do MPLA, que preparou os outros documentos que o Comité Central deverá submeter também à apreciação e aprovação desse Congresso.

Estão, assim, elaboradas as bases gerais da Estratégia Eleitoral do Partido e as linhas de força para o Programa de Governo do MPLA para o período 2013-2017, que serão objecto de estudo, discussão, enriquecimento e aprovação pelo IV Congresso Extraordinário.

Os assuntos referentes à lista de candidatos e aos quadros em geral que deverão integrar os órgãos eleitos do Estado, após as eleições de 2012, serão tratados pelo Comité Central logo depois do Congresso, nos termos dos Estatutos do Partido.

Desejo muitos êxitos a todos e está aberta a reunião do Comité Central.”

*Já muito foi dito acerca deste discruso. 10 dias depois dele ser proferio, ainda não consigo acreditar no que li. Para os que se encontram nas mesmas dificuldades, eis o vídeo do discurso em questão, para poderem ver e ouvir, com os vossos próprios olhos e ouvidos, o discurso do nosso Chefe de Estado.*

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~ por Havemos de Voltar em Abril 25, 2011.

3 Respostas to “Leitura da Manhã: Discurso do Presidente José Eduardo dos Santos na reunião do Comité Central do MPLA”

  1. Durante toda a minha vida, aprendi, nem sempre da melhor maneira, que quando não se tem argumentos para se justificar uma falha, a melhor opção é não dizer nada. Pelos vistos, sua excelência PR não teve as mesmas lições que eu, ou então simplesmente as ignora.
    Sua excelência, no discurso proferido no comité central do MPLA, teve a coragem de falar sobre um problema sério, um dos mais profundos problemas que angola atravessa, a CORRUPÇAO, da forma mais leviana que este se pode expressar. A sua frase célebre foi nada mais, nada menos que “mas não á nenhum pais no mundo em que não há corrupção”.
    O senhor PR parecia um daqueles alunos relaxados (sim, só mesmo esses) que se desculpa das negativas frequentes com um simples ‘ não há nenhum aluno que não tira negativas’. Sim, só os incapazes têm estas justificativas. Os iluminados, mesmo quando erram, até podem se refugiar nestes subterfúgios, mas em via de regra, assumem o erro e pedem desculpa. A título de exemplo, o 1º ministro japonês pediu desculpas aos seus cidadãos por não poder reconstruir o país em três meses, mas sim em … 6 meses.
    O pior da história, é que não se trata de um simples aluno, mas de o líder de uma nação. Já imaginaram Napoleão, ou Leónidas dos 300 espartanos dizer aos seus soldados ‘ não há nenhum exercito do mundo onde nunca morreu gente’. Ou por exemplo Barack Obama, (chefe dos artistas, bondou o bandido Bin Laden heheh) se pronunciar à nação americana ‘ Não há nenhum país no mundo onde não haja crise económica’
    Ah, e a posteriori, nosso líder pronunciou-se sobre a solução do grave problema com o comentário contundente: “De qualquer modo, o governo de Angola está a fazer esforços para combater este mal”.
    Sem dúvida, é um comentário que merece salva de palmas, e que cria uma sensação reconfortante e revigorante ao povo angolano. Discursos desta natureza, paupérrimos em conteúdo, só o fazem aqueles que têm certeza de que têm a sua cadeira cativa, infelizmente mantida pelo próprio povo angolano, com suas filosofias de que não há ninguém mais que pode governar angola, se vierem outros também vão roubar, e assim por diante.
    Ao falar sobre a extrema pobreza no país, Camarada PR teve a infelicidade de dizer, que desde quando seus falecidos pais nasceram também já havia pobreza! Falou que o salário do contratado era fubá e peixe seco, ah, e ainda porrada quando se refilava. Além disso, ainda teve a desfaçatez de dizer, que foi no mundo de pobreza que a maior parte de nós (eles os bosses) nasceu, e construiu a sua personalidade. Para concluir da melhor maneira, sua excelência ainda nos lembrou, de que não foi ele que criou esse problema, que também já encontrou assim! E que tem o grande orgulho de anunciar que conseguiu em 8 anos baixar o nº de pobres, de 7.000.000 (70%) à 4.500.000 (37%) de pessoas! Traduzindo, o PR quis dizer que já estamos mesmo a largos anos na pobreza, então não é muito problema que atualmente a situação ainda perdure. E ainda mais, que se ele nasceu na pobreza e hoje é PR então é mais um estímulo para nós continuarmos a perambular na miséria, porque um dia ainda podemos vir a ser dirigentes do país. Fazendo-se uma comparação, seria como se o engenheiro ou gerente de uma certa empresa se dirigisse ao seu diretor com os seguintes termos: “Sr diretor, desde que esta empresa fui fundada, no século retrasado já existia problemas de produção, os produtos já apresentavam defeito, a empresa já apresentava prejuízo. E ainda, a empresa X, Y e Z que hoje são grandes, também passaram pelo mesmo problema que nós passamos hoje. E para concluir, senhor diretor, não fui eu que criei esse problema. Também já encontrei assim! Mas fiz um esforço bem grande, e consegui reduzir os prejuízos para metade em 8 anos!!”
    Caro leitor, o que acha que a reação do diretor seria? Na minha ainda experiência de estudante, acho que o diretor ficaria assim um pouco de mau humor, se calhar apenas isso! Mas para tirar as duvidas, no meu 1º emprego direi algo semelhante. Quem sabe resultará num aumento…
    Pessoalmente nunca fui grande apreciador dos discursos do PR, porque os considero sem alma, e sem carisma. Ao ler este, minhas opiniões triplicaram. E mais não digo, acho que não vale a pena, ainda me acusam de terrorismo cibertético ou cibernético, nem sei mais a palavra certa…

  2. Fiquei bem burra, nao havia escutado nem lido nada disso.Tambem ha que dizer que quando lhe escuto falar começo a ficar bem futucada entao por isso evito…
    Agora começo a pontualizar:
    “Esses processos democráticos baseiam-se, entre outros, no princípio da alternância democrática, o que quer dizer que os dirigentes e deputados que estão a governar disputam em eleições os votos dos eleitores, com as pessoas indicadas pelos partidos da oposição, e quem conseguir a maioria desses votos ganha o direito de governar no período seguinte.

    Que periodo? Porque até onde sei só houve eleiçoes em 1992 e 2008(Parlamentares), estamos a espera das presidencias neh? Enquanto isso ele leva 32 anos no poder e a guerra foi de 1992-2002.

    “Hoje há uma certa confusão em África e alguns querem trazer essa confusão para Angola.


    Confusao é o que fazes quando queres sair de casa para fazer nao sei o que e desestabilizas ainda mais o tráfico de Luanda.

    “Devemos estar atentos e desmascarar os oportunistas, os intriguistas e os demagogos que querem enganar aqueles que não têm o conhecimento da verdade. Temos que ser mais activos do que eles para vencermos a batalha da comunicação da verdade.


    Nao faz falta a verdade vemos todos dias quando temos que sair de casa uns as 6 da manha e outros muito antes. Por nao dizer os que têm as casas partidas…Seguinte
    “Quais são os argumentos que usam? Dizem, por exemplo, que há pobreza no país.

    Nunca ninguém disse que não há e esta situação não é recente. Quando eu nasci e mesmo quando os meus falecidos pais nasceram já havia muita pobreza na periferia das cidades, nos musseques, no campo, e nas áreas rurais.


    Os meus pais me falam de muitas dificuldades mas ao ponto de nao ter uma escola em condiçoes e nao ter oportunidade a uma vida digna isso sim que nao. E olha que o meu avó era conzinheiro e a minha avó vendia Bombó com ginguba, mas foram capazes de formar e educar todos os filhos o que hoje é quase impossivel.
    “Dizem, por outro lado, que não há liberdades, mas no país surgem cada vez mais partidos políticos, associações cívicas e profissionais, organizações não governamentais (ong’s), jornais privados, rádios comunitárias, etc.


    Liberdades medidas? desde quando meio é completo?

    “A mensagem a levar a todos os angolanos de boa fé sobre os nossos propósitos e sobre as nossas intenções deve ser clara, para que ninguém nos afaste do nosso rumo e do nosso processo democrático.


    Vosso propósito, vosso rumo e vosso processo democrático. Ja tava ver que o país era vosso…

    “Quando o Povo, o Partido MPLA e o Governo estão juntos, a vitória está garantida.


    Essa frase esta mal dita por ai governo nao é igual a MPLA?
    E sim a vitória esta garantida pra o M e nao para o Povo, bem dito.

    PD:Estou a estudar em España e isso dificulta muito na hora de escrever correctamente, mas nao se preocupem quando volte a Luanda de vez retomo al aulas de português.

  3. Com isso da probreza que quis ele dizer? Epahh voçes ja eram mesmo pobres , podem continuar assim porque a culpa nao é minha ehhhhh só como ta ferver o meu sangue.
    A dizer que nao é culpa dele ou do governo que se continue na casa de chapa sem luz , ne agua corrente mas ele a custa de isso leva 1$ por barril de petroleo vendido. Tudo isso que nome tem ?

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