Energia Eléctrica em Angola

Energia Eléctrica em Angola

Por Naccy e Nuno

A energia eléctrica é um bem essencial que toda gente tem o direito a usufruir. Assume-se como um serviço que propicia o desenvolvimento de qualquer país, devido ao facto da indústria estar fortemente dependente dela e de contribuir para o melhoramento do bem-estar da população. Angola como qualquer outro país que prime pelo desenvolvimento, deverá suprimir todas as debilidades do seu sistema eléctrico. Isto porque, estudos mostram que, à medida que um país se vai desenvolvendo, o seu consumo energético tende a aumentar na mesma proporção. Para fazer face a essa situação, um estado deve ministrar um plano de acompanhamento que vise satisfazer as necessidades do país, tanto a nível industrial como a nível social. Com uma aposta forte neste serviço, consegue-se gerar grandes receitas para o estado, por este ser uma necessidade diária de qualquer cidadão. Feliz ou infelizmente, Angola aposta bastante nas suas riquezas naturais e acaba por esquecer outros tipos de serviços (facto estranho, pois na família presidencial existem pessoas formadas nesta área e mesmo os nossos empresários parece que ainda não abriram os olhos para esta realidade).

Quando a energia eléctrica produzida, num dado momento, não corresponde à demanda de consumo, acontecem situações indesejadas tais como os famosos apagões. Estes apagões, ou interrupções do fornecimento de energia eléctrica, acarretam transtornos e perdas elevadas, começando pelas empresas e terminando no cidadão comum. Certas companhias, são tão dependentes da energia eléctrica, que uma falha no sistema, pode proporcionar perdas de dados, interrupção de transacções, paragens de produção e pode chegar ao extremo de ser uma causa de morte (ex. em hospitais). Neste contexto, serão apresentados abaixo, alguns factores que podem ser vistos como favoráveis ao défice energético que Angola enfrenta:

1)      O primeiro factor é a falta de pessoal especializado na área. Este é um problema que afecta não só este ramo, como muitos outros em todo país e as causas para esta situação são inúmeras. Algumas causas, por exemplos: desvios de muitos engenheiros para empresas do ramo petrolífero, devido às condições salariais que as mesmas oferecem; falta de coordenação entre o governo e as instituições de ensino (INABE), pois grande parte dos jovens angolanos que se formam no exterior optam pelas ciências sociais; os cursos de engenharia ministrado nas universidades públicas, possuem um número reduzido de vagas; indiferença (ou falta de condições) por parte das empresas do ramo eléctrico, em incentivar os jovens a seguir esta área (proporcionando programas de bolsas de estudo, concursos de ideias inovadoras, etc.).

Este é um problema que demora algum tempo a ser resolvido e quanto mais cedo se actuar, melhor.

2)      Um outro factor, é a necessidade da formação contínua dos nossos engenheiros e técnicos. A sua importância, deve-se ao facto da tecnologia estar sempre a evoluir e, para um bom engenheiro, o “evoluir” significa não apenas encontrar melhores soluções, mas sobretudo, soluções mais económicas! Para que isto aconteça é necessário que os nossos engenheiros: participem em conferências internacionais para estarem à par das novidades; tirem cursos periodicamente para dominarem as técnicas do ramo em que trabalham; formem associações que visem, entre outras coisas, a partilha informação, o estudo da viabilidade de certas tecnologias ou a normalização e certificação dos seus produtos e serviços (detalhes no ponto 3);

Claro que a formação contínua traz um custo adicional às empresas, mas por vezes, este custo torna-se num bom investimento a longo prazo. Um exemplo disso é o facto de na rede eléctrica nacional manterem-se algumas técnicas que estão em desuso e solucionarem-se muitos problemas à base do “desenrasca”. É uma nota de como o investimento no sector é fraco, pois, segundo algumas fontes, a nossa geração de energia é estável, o problema encontra-se na distribuição, que foi projectada com algumas deficiências.

3)      É de capital importância uma normalização! A maioria dos países desenvolvidos tem uma normalização para cada área de engenharia. Pode parecer insignificante, mas traz inúmeras vantagens. No sector energético, a principal vantagem seria  a de assegurar a protecção de utilizadores, equipamentos e edifícios, evitando muitos acidentes desnecessários e, no caso de um acidente vir mesmo à acontecer, ser possível encontrar os responsáveis. Outra vantagem é a de facilitar o controlo e gestão de toda a rede eléctrica, pois consegue-se ter uma visão geral do que cada localidade consome, facilitando desde a obtenção de dados estatísticos, ao dimensionamento dos cabos de distribuição (que muitas vezes resulta na redução de custos do um projecto). Uma outra vantagem, importante salientar, é o facto de uniformizar todo o país, pois, num momento em que diversas empresas estrangeiras actuam em Angola, cada uma delas tem usado as suas normas, o que mais tarde poderá causar incómodos, durante o trabalho de manutenção dos nossos técnicos, ou em futuras obras de reestruturação.

(Para informações mais detalhadas sobre a importância da normalização: http://www.inegi.pt/instituicao/ons/pdf/JASA-1.PDF)

4)      Este ponto depende de nós utilizadores, e tem por nome: racionalização da energia eléctrica. O seu significado, não é nada mais do que, evitar o desperdício de energia eléctrica e contribuir, a todos os níveis, para o melhoramento deste bem comum. Este é um tema que ultimamente se tem dado muito ênfase, principalmente nos países que não apresentam debilidades na rede eléctrica, uma vez que, os utilizadores tendem a ser desleixados e, com foi dito anteriormente, a cada ano que passa os consumos aumentam significativamente. Neste ponto, existem imensos procedimentos podem ser adoptados, mas são apresentados abaixo, apenas os essenciais:

  • Todos sabemos que as nossas distribuidoras de electricidade mal nos conseguem sustentar a nível energético e o facto de deixarmos certos aparelhos ligados (ar condicionados!) sem sequer usufruirmos, só dificultamos o seu trabalho. Muitos cortes de energia, são devidos ao consumo excessivo da nossa parte, porque em muitas zonas, o sistema não está dimensionado para fornecer tamanha potência;
  • É preciso que todos paguemos a nossa factura mensal! Se queremos que a EDEL, ENE ou outra empresa qualquer nos preste um serviço de qualidade, temos de contribuir para tal. Os projectos que estas empresas estão envolvidas, estão na ordem dos milhões de dólares, tornando-se impossível para elas dependerem apenas das ajudas do estado.
  • Temos de abandonar os maus hábitos de puxar o fio do vizinho, ou vender fio ao fulano. Para além de ser uma prática ilegal e contribuir para o problema citado no ponto anterior, põe também em risco a segurança do indivíduo que praticou a ilegalidade.
  • Outra medida que se poderá começar já a adoptar, é utilização de lâmpadas e equipamentos de baixo consumo.

A nossa rede eléctrica está actualmente a ser reestruturada por empresas estrangeiras, mas um dia eles irão embora. Engenheiros angolanos, responsáveis e competentes, terão de gerir a rede de um país mais de 14 milhões de habitantes. Cabe a cada um de nós ajudar de alguma forma, para que os esforços que têm vindo a ser feitos, sejam rentáveis num futuro próximo.

Para terminar apresento algumas vantagens em ter um bom sistema eléctrico no nosso país:

  • Aumento da produtividade do país.
  • Diminuição dos gastos mensais de energia por parte da população e das indústrias, pois deixa de ser necessário o uso de geradores de combustão que consomem muito combustível e avariam constantemente.
  • Aumento do conforto e comodidade da população.
  • Aumento do lucro das empresas de distribuição de energia que poderão apostar na melhoria dos seus serviços.

Abraço,

Naccy & Nuno

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~ por Havemos de Voltar em Abril 26, 2010.

17 Respostas to “Energia Eléctrica em Angola”

  1. Pessoal gostei muito do material publicado, vamos continuar a engrandecer este país enorme, criando blogs como este. Ai vai o meu abraço

  2. Só há um grande problema, empresas como a ENE e a EDEl não investem em formação, muitos dos engenheiros que trabalham nestas empresas não evoluem profissionalmente, essas empresas continuam a investir muito em empresas estrangeiras para efectuarem o serviço e 0 em formação, conclusão, a área da energia em Angola continua entregue as empresas estrangeiras, já que as nossas empresas aproveitam muito mal os quadros que se encontram disponíveis, com uma politica de formação medíocre ou abaixo de medíocre não há hipótese de melhorias nesse sector, a ENE não dá bolsas, a ENE não investe quase nada em formação dos quadros e para além disso salarialmente não consegue competir com as petrolíferas, quem é o engenheiro que vai trocar uma petrolífera por uma das duas empresas públicas de electricidade?

  3. qual e a importancia energia eletrica para desevolvimento do nosso pais

  4. a energia e a influencia e o crescimento do pais

  5. sugiro que optem por sistema de instalação de energia a cartão! É mais eficaz e rentabiliza melhor os vossos custos

  6. oi eu sou um estudante de ciencias sociais do Brasil, na verdade eu nao passei ainda mas to estudando bastante, eu estava pensando em um possivel sistema de instalaçao de uma rede de energia eólica em angola mas eu nao sou um conhecedor da realidade de Angola, so sei o que os sites dizem mas nem todos eles sao confiaveis. eu gostaria de conversar com voce sobre o assunto se nao for incomodo pois eu acho realmente que é uma boa ideia.

    • na verdade a tua idea é muito boa e acredito que os sites que falam da nossa realidade são confiáveis é somente a verdade da nossa realidade.

  7. Gostei mt desta informação………………..
    Colocam + informação sobre os problemas q Angola tm passada, desta maneira saberemos dar um contributo pra resolução do problema.
    thank you…………….

  8. na minha zona a energia é uma borcaria até não sei como é que o governo diz que a população tem energia e está viver bem………………………

  9. Por mi a energia ñ chega prá todos aqui no municipio do Mussende (K.Sul) não tem luz depende de geradores temos que rever o quadro.

  10. Gostei da informaçáo sobre situaçào energéticas nosso país .espero pesquisar e encontrar sempre resposta.

  11. Estou aprocura de uma mullher de 30 anos meu telefone e 943029378 ligà me

  12. Para alem da formação de quadros e de outros pontos salientados no artigo, um dos grandes problemas é também o fraco incentivo para o desenvolvimento de empresas locais, visto que o governo já tem parcerias estratégicas com empresas estrangeiras do sector, a actuar no mercado Angolano, deixando pequenas e médias empresas nacionais sem possibilidade crescerem pois o governo continua a ser o grande parceiro. Se o governo não facilita que as poucas empresas no sector tenham acesso, nem que em pequena escala, de projectos até a nível das comunas e vilas, como podem essas empresas crescer e contribuir para a estabilidade energética? Os investimentos no ramo eletrotécnico sao elevados e sem o apoio do governo uma boa parte das empresas que se criam tendem a desaparecer por falta de incentivos. O programa Angola Invest não consegui satisfazer os objectivos para o qual foi criado. Precisamos criar mecanismos para uma maior participação de empresas locais em projectos. Por exemplo, a EDEL em Luanda começou-se a fazer a instalação de contadores prépagos em varias bairros da cidade. Quantas pequenas e médias empresas estão envolvidas? instalar contadores é um projecto básico de eletrotecnia que se escalado a nível nacional ajudaria a reduzir o consumo excessivo e anárquico de energia e incentivava a participação de mais empresas na área de instalações eléctricas, fiscalização e cobranças de tarifas a nível nacional. Quantos empregos poderíamos criar com a descentralização desses serviços? Qual seria a contribuição na redução do consumo energético excessivo e sem controlo por parte dos consumidores? Quantas casas, instituições e entidades afins funcionam sem um contador eléctrico em Angola? Um simples exemplos, demonstra como o governo pode ajudar a desenvolver a economia e cria empregos num sector que ainda tem muito por desenvolver.

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