O Conformismo do Mundo

O Conformimo do Mundo

Por Victor de Barros

Antes de mais, gostaria de mencionar que este artigo não foi criado com a intenção de ser ofensivo. Apenas defendo os valores que acreditamos aqui no Havemos de Voltar, dentre os quais estão o debate e a troca de ideias para o enriquecimento das mentes. Uma das intenções é também desanoviar um pouco a atmosfera do Havemos de Voltar e provar que assuntos sérios nem sempre precisam de ser debatidos de uma maneira entediante (boring), o que parece ser o que grande parte da malta jovem acredita. Agora, já com o palco a postos, entro em cena…

…e começo logo com uma pergunta: desde quando é que papel vale alguma coisa? Sim, porque (para a surpresa de muita gente) dinheiro não passa disto mesmo: PAPEL.

Há quem reconheça esse facto, mas ainda assim argumenta que dinheiro não é um papel comum, é um papel especial. Desculpa desiludir os defensores desta ideologia. Os poderes mágicos que estão associados ao dinheiro hoje em dia não passam de imaginação da sociedade. É mais ou menos como quando se lava a loiça e ainda assim ela continua suja. O pior é quando pusemos a loiça neste estado bem arrumada no armário. Com isto quero dizer que as pessoas hoje em dia so fazem as coisas. Nos não temos um entendimento. Os nomes das coisas, os conceitos, não têm nenhum significado para nós. Da mesma forma que podemos considerar termos lavado a loiça mesmo esta estando suja é da mesma forma que usamos o dinheiro, porque assim nos foi ensinado (ou porque o assim entendemos). Nunca nos perguntamos porqué que um pedaço de papel é capaz de fazer tanta coisa. O sistema financeiro tal como existe hoje foi criado numa situação de escassez onde havia uma necessidade de se distribuir os produtos pelos membros da sociedade de uma meneira sistemática.

Sem querer entrar em detalhes sobre a historia e a origem do dinheiro, o que quero dizer é simplesmente que no inicio de tudo, o dinheiro não sendo uma excepção, as coisas têm um motivo, uma razão de ser que, aliás, é geralmente muito bem entendida e as repercurssões bem estudadas. Acontece que no mundo tudo muda, e os motivos que faziam sentindo antigamente deixam de existir. Aí, voltamos a nossa falta de interesse, ao nosso conformismo, e não fazemos perguntas sobre essas prácticas tradicionalistas, pelo contrário, levamos a vida como sempre o fizemos e se alguém fizer perguntas inconvenientes, apagamos a pessoa (nos mais diversos sentidos).

Durante o último congresso do MPLA, lembro-me ter comentando com o meu pai que seria daquela vez que a máxima “a luta continua, e a vitoria é certa” morreria de uma vez por todas. Para o nosso espanto, segundos depois do comentário, fomos lembrados que afinal de contas ainda existe alguma luta qualquer. Para maior espanto, a vitória ainda não foi adquirida pelo MPLA, é uma coisa certa, mas ainda não adquirida… falando de ser ultrapassado pelo tempo. As pessoas dormem no tempo, recitam essas coisas sem sentido sem dó nem piedade de si mesmos. Não param e perguntam qué que estes estão por aí a falar… espera, tambem estamos a falar a mesma coisa, mas porque? Afinal? Não, não pode ser…não existe um pensamento lógico e o conformismo apenas aprofunda a deficiência.

Olho para o slogan da EDEL e não me espanta porqué que Luanda nunca tem electricidade: “EDEL – Com olhos nos futuro, mãos na distribuição”. Não precisamos de ser génios para saber que se não tivermos com os olhos atentos no que fazemos, os resultados podem ser desastrosos (quanto mais ainda se electricidade estiver envolvida)!

Seguindo pra ultima parte do artigo, infelizmente nem tudo muda da mesma forma para todos. Ha mudanças que fazem sentido terem repercursões para certas sociedades mas há outras que não se justificam. Uma mudança que não faz sentido algum na minha cabeça é essa adopção de direitos iguais entre mulheres e homens. Não quero parecer machista ou coisa do género, mas eu sequer vejo como isso funcionaria nas nossas sociedades africanas. As mulheres modernas adbicam de suas responsabilidades familiares e fisiológicas a favor deste modo de vida de igualdade. Acho isso um acto imaturo e individualista baseado na forma mais banal de orgulho que existe no mundo!

Não acho que as mulheres devam ser descriminadas e abusadas só pelo simples facto de serem mulheres. Mas se eu tiver uma fábrica, tenho que ter a noção de que uma mulher que quiser dar a luz ficaria um tempo considerável ausente do trabalho enquanto que um homem que se tornasse pai ficaria alguns dias ausentes apenas. E não vejo males nenhuns nisto, aliás, as pessoas tem papeis diferentes. Talvez um dia quando homens tiverem ovários funcionais e mulheres testiculos tambem funcionais, talvez aí essa coisa de direitos iguais tera um lugar de maior destaque na minha cabeça, porque por agora é só mesmo confusão sem razão de ser.

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~ por Havemos de Voltar em Abril 5, 2010.

4 Respostas to “O Conformismo do Mundo”

  1. Olá Primo Victor,

    Fico um pouco assustado com a tua opinião de que os homens e mulheres não merecem direitos iguais, sómente por causa das suas diferenças fisiológicas. Talvez estejas a confundir direitos universais e humanos com a biologia. Perante a lei, tanto homens como mulheres devem sim ter direitos iguais. Apesar de serem de sexos diferents, os dois são humanos e só por isso e mais nada, devem ter direitos iguais. Ponto final.

    Uns também achavam que ‘pretos’ não deviam votar porque são de inteligência inferior a ‘brancos’. E mesmo no século passado, em muitos países do mundo as mulheres não tinham direito de votação. Hoje, já existem mulheres presidentes e/ou em grandes posições de poder, como a Primeira Ministra Alemã, a Angela Merkel, ou a ex-Presidente do Chile, a Michelle Bachelet, mulher extremamente capaz e influente (Wikipedia-a). Certamente mas capaz do que muitos homens em sua posição…

    Hoje em dia, em pleno século 21, qualquer mulher está livre de fazer o que queira. Não subscrevo a essa ideia de que o lugar da mulher é em casa a fazer filhos e sanduíches. Nem da desculpa de ”sociedade africana”. As sociedades mudam com o tempo e não são reféns dele. Mudemos também de pensamento…esta é a minha sincera opinião acerca deste tema.

    Kandandus fortes,
    Claudio

    • ya primo… to a ver o q dizes, mas a tua reaccao eh a reaccao classica do pessoal. as pessoas esqecem do “Não acho que as mulheres devam ser descriminadas e abusadas só pelo simples facto de serem mulheres” no artigo e vao logo pra onde tu foste. as mulheres sao muito capazes, disso n ha duvidas (alias, eu vivo essa experiencia em primeira mao…). eh claro q existem direitos do homem (qero dizer, do ser humano), mas nesse contexto, nao me refiro tanto a direitos legais, mas um pouco mais a direitos sociais. n eh confundir biologia com direitos do homem… como no exemplo q dei, o simples facto de uma mulher precisar de no minimo 4 meses de “folga” por estar gravida nao tem nenhum paralelo com nenhuma situaçao q ocorra com um homem. a mulher eh mae e o homem eh pai, trocar os papeis nunca da certo como ehvisivel nas nossas sociedades modernas. com isso qero dizer q todos tem o seu papel na sociedade e q uns qererem assumir o papel dos outros n eh o mais sensato! isso levanta outra polemica: qal eh o papel de quem? isso fica pr’outro artigo, mas digo desde ja q nao acho q o papel de uma mulher eh ficar a carregar vigas e blocos numa obra. espero ter me feito entender.
      kandandus sempre…

  2. Comé primo Victor! Eu analiso da seguinte forma:
    A existência de direitos iguais entre homens e mulheres, permite às mulheres terem a liberdade de escolher o modo de vida que desejam levar. Por mais que discutamos o assunto, todos ser humanos devem ter esse direito. E se as mulheres quando submetidas a essa liberdade tendem a escolher o estilo de vida “moderno”, então não podemos julga-las. Eu só acho que essa liberdade tem sido uma fachada, visto que somos bombardeados pelos meios de comunicação, em qual o modo de vida que devemos seguir, para termos sucesso na vida (sucesso => vida financeira estável => liberdade => felicidade).
    Isto leva a uma outra questão, a globalização. Se repararmos bem, os países que ainda conseguem conservar a sua identidade cultural, são os que mais atropelam a carta dos direitos humanos. Por isso é difícil ver em África e em muitos outros países, a implementação do direito de igualdade para todos.

    Abç
    Naccy

  3. Fiquei deslumbrado não só com seu blog, como também pelas suas postages, maravilha!!!
    Conheça os meus em:
    http://www.congulolundo.blogspot.com
    http://www.queriaserselvagem.blogspot.com

    Um abração do tamanho do mundo.

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