TEDx, um evento inspirador e inovador.

•Junho 12, 2013 • Deixe um comentário

20130916-235750.jpg

O meu primeiro contacto com o TED deu-se nas aulas de inglês Advanced level, onde minha professora nos colocava a assistir as palestras no youtube. Seu objetivo principal era de praticarmos o listening. Porem, devido às reflexões profundas, e aos assuntos bastante pertinentes das palestras, estas proporcionavam ricos temas para discussão e diálogo na sala de aula. Fiquei então profundamente interessado em assistir um destes eventos, que acontecem um pouco pelo mundo inteiro, e foi com muito êxtase que, por acaso, apercebi-me que haveria um evento TEDx aqui em Luanda. Acessei a pagina no facebook, e o site www.tedxluanda.com, e cumpri todos os requisitos para assistir o evento. O custo da entrada são 9.500 kz, mas ao fim do dia, ninguém se lembra de ter pagado este valor, porque vale mesmo a pena.

Mas o que significa a sigla TED, e como nasceu este evento profundamente enriquecedor?

A sigla TED significa Technology Education Design. Este nome deve-se a origem dos temas discutidos nas primeiras palestras. È uma plataforma global, dedicada as ideias que merecem ser partilhadas, conforme o slogan em ingles: Ideas worth spreading.

Nasceu em 1984, é uma organização sem fins lucrativos, dedicada a difusão de ideias inspiradoras, atravez do formato conferência.

A conferência anual do TED, que tem lugar em Long Beach, na California, apresenta, durante quatro dias, pensadores e empreendedores de todo o mundo. As palestras duram cerca de 18 minutos e são disponibilizadas gratuitamente no site WWW.TED.COM. Nomes como Bill Gates, Al ore e Isabel Allende já passaram pelo palco da conferencia.

Para alem da conferência anual, realiza-se o TEDGLOBAL em Oxford, Reino Unido, onde os temas são de natureza um pouco mais internacional, mas com o mesmo formato.

Hoje em dia, o TED é referencia para uma vastíssima comunidade global de indivíduos e empresas que acreditam no poder das ideias inspiradoras e inovadoras.

TEDx são eventos locais, organizados e curados de forma independente, cujo foco está na criação de uma plataforma aberta e acessível, sem qualquer agenda comercial, política ou religiosa, permitindo assim o alastramento das ideias dignas de serem partilhadas, a nivel local ou global. (TEDx, onde x significa “evento organizado de forma independente”, segundo os regulamentos e normas TED.)
Felizmente, ouve alguém que teve o sonho de trazer este evento para o nosso pais. Seu nome é Januario Jano, designer e consultor de marcas, e que já vem trabalhando no desenvolvimento de projetos a nivel mundial. Ele é assim a figura responsável, o Curador e apresentador deste inspirador evento, a qual merece nossos rasgados elogios pelo excelente trabalho realizado.

O primeiro evento TEDx em Luanda, ocorreu no ano passado (2012), e não defraudou as espectativas. O elenco de oradores foi muito interessante, Incluíndo até mesmo um jovem adolescente de 16 aninhos, de nome DÉBORAH CARDOSO RIBAS, bisneta de Oscar Ribas, o bem conhecido escritor angolano. De forma sorridente e simpatica, falou-nos dos livros de sua infância, os seus preferidos, e que lhe impulsionaram a carreira das letras, bem como apresentou a sua primeira obra intitulada Histórias do coração.

A edição de 2013, aconteceu muito recentemente (25/05), e foi tão, ou mais empolgante do que a edição anterior. Desta vez, tivemos oportunidade de assistir oradores estrangeiros, inclusive um deles a expressar-se em língua inglesa (Oportunidade de praticar o listening outra vez.). O Orador foi IKENNA AZUIKE, o criador da rubrica WHATS UP AFRICA, onde o orador, por meio de vídeos, aborda temas relacionados com o continente africano, de forma satírica, divertida e muito empolgante. A sua palestra foi sem dúvida, um dos momentos mais divertidos do dia.

O evento começou em grande, com CARLOS AUGUSTO, o empreendedor arrojado, que falou sobre os ladrões de sonhos, ou seja, agentes internos ou externos que podem destruir sonhos ou planos futuros. CARLOS CARVALHO, jornalista e professor universitário, numa breve lição de economia, fui contundente na sua explanação, ao comparar Angola, África do Sul e Botswana, no que se refere ao dinheiro gasto em três áreas: Saúde, Educação e Defesa/segurança.

Um dos grandes momentos do dia, foi SÓNIA FERREIRA, Humanitária, ex pioneira da OPA, falou-nos de sua organização humanitária, ong okutila, e do seu trabalho incansável em prol de crianças desfavorecidas. No momento, dirige um centro de acolhimento no Huambo, que esta ajudando mais de 60 crianças.

Outro dos momentos altos do dia, foi a palestra do português MIGUEL GONÇALVES, o psicólogo atípico. O Autor, de forma cativante e eloquente, falou-nos de sua empresa, a Spark Agency, que tem a missão de criar interfaces entre empresas e pessoas, principalmente jovens. Suas palestras são verdadeiras aulas, onde da orientações de como se destacar na vida, como se apresentar para o mercado, ensina-nos o que realmente os gestores e empresários procuram nos seus colaboradores, etc etc, sempre de forma muito cativante. Uma das colocações dele, que arrancou fortes aplausos da plateia, foi a seguinte: “Se es o aluno mais inteligente da turma, estas na sala errada”. A dica que fica é: junta-te aos melhores!

ALINE FRASÃO, linda e espontânea como sempre, começou sua apresentação ao ritmo do kissanje, e em seguida, com a musica TANTO, que tanto furor já tem feito por ai. Ambas as musicas pertencem ao seu novo trabalho Movimento.

O TEDx faz apologia a imaginação e criatividade, e por este motivo, até a refeição é fora do padrão. Em ambas as edições, foram servidos pratos angolanos, mas no formato gourmet. Se na primeira edição foi funge, na segunda, o famoso mufete; com todos os integrantes do prato: Batata doce, Banana pão, peixe e feijão (moído em forma de papa). O coffe brake foi constituído igualmente por sabores angolanos, como sumo de mucua, kissangua, dentre outros doces e petiscos. As refeições são da autoria do restaurante 688.

Momentos culturais não podiam faltar num evento com este. O grupo ABADÁ CAPOEIRA abriu o dia com uma apresentação de ungo, e com uma surpresa bastante agradável: Uma apresentação de Ungo de seu lider mestre Kamosso, com 91 anos, mas com força suficiente para nos demostrar os seus dotes com o instrumento musical. Demonstrações de capoeira e até uma aula de pilates, igualmente marcaram presença.

Em suma, não haveria melhor forma de se cumprir a missão a que este movimento se propôs: Partilhar ideias com objectivo de mudar atitudes, vidas e em ultimo caso, o mundo. Acredito que todos os que se retiraram por aquela porta, já para lá das 22 horas, saíram de lá enriquecidos mentalmente e estimulados a agir, trabalhar para que possamos construir uma Angola, e porque não, um mundo melhor.

AS CENTRALIDADES DA HUMILHAÇÃO

•Fevereiro 22, 2013 • Deixe um comentário

Image

Caros leitores.

Como ja é sabido por todos, a compra de casas nas novas centralidades está longe de ser um mar de rosas, pacífica e tranquila. Ao contrario, há que se fazer das tripas coração para se conseguir colocar o nome entre os inscritos.

Vou partilhar um e-mail que recebi, de uma colega de trabalho, com um depoimento de quem viu in loco a situação constrangedora que se vive na centralidade do Kilamba.

Eis o depoimento:

“Querem saber o que se passa na ” centralidade do Kilamba”?

Pois bem, o Manuel Fragao foi lá espreitar, e relata de uma forma simples, mas magistral, o que apreciou nas ” partes envolvidas, envolventes, e demais obscuros envolvimentos “.

RECOMENDAÇÃO; que cada RESPONSÁVEL nas diversas áreas intervenientes (Vice-Presidente, Manuel Vicente, /Edeltrudes Costa,/ Bento Bento e outros membros do Executivo) e claro os “membros da administração da Sonangol e da Sonip” , e a tal ” Delta” , tudo sem mencionar nomes, que aquilo é mesmo a granel e conforme o gosto e a disposição ( de interesses) , se RECOMENDAVA vivamente que reflectissem , ou mandassem reflectir pelos hostes menores dos seus respectivos gabinetes , todo esta descarrilada ” operação imobiliária, para evitar semelhantes atropelos no futuro.

Como se fora um “Relatório Oficial” de um Fiscal da Nação, com a vénia passo a citar o Manuel Fragão:

“SONIP & DELTA VS POVO = HUMILHAÇÃO

Tive o desprazer de fazer o périplo pela centralidade do Kilamba durante dois dias e constatei o seguinte:

OS FUNCIONÁRIOS

Cada agência da delta imobiliária (agora são 3) se propõe a atender 400 pessoas por dia mas na pratica atende pouco menos de 200, presume-se que os outros 200 sejam atendimentos fantasmas, visto que existe uma clara certeza da cobrança de 500 usd para entrega dos documentos.

O negocio ficou tão lucrativo que tem jovens que pernoitam pelo Kilamba transformandos em STAFF (organização) que depois cobram o mesmo valor por cada ficha, se revezando e colocando nomes de pessoas que nem sequer se encontram no local para assegurar outros lugares. A rede estendeu-se até as bombas de combustível próximas e pelo Kero aonde abordam o povo faminto pelas bichas (filas) e pelos dias passados a dormir no chão.

Naturalmente que o pessoal de asseguramento da policia nao haveria de ficar de fora deste quinhão, afinal isso é Angola e todo mundo se vira como pode, pra eles o preço ronda entre 200 a 400 usd, seja o interessado policia ou nao.

MILITARES & POLICIAS

Foram feitas filas diferentes devido às galhetas que ocorreram entre os homens da farda, MININT de um lado, FAA do outro, devido ao status da situação os oficiais superiores dos dois lados também deram o ar da sua graça e sendo priorizados pelos oficiais subalternos que mais tarde se revoltaram porque parece que os tais ligavam aos outros e a fila dos reles subalternos nao andava.

Começaram as faltas de respeito aos oficiais superiores e com ordem de que nenhum mais por ali passaria, facto este que obrigou os oficiais superiores a fazerem uma fila defronte ao edifício da Delta.

A ementa tinha de tudo, de subcomissarios, brigadeiros e até deputado, só nao vi nenhum general ou comissário, mas nos zunzuns do povo ficou a questão: esses nao têm casa? Será o problema do nossos dirigentes (MEGALOMANIA) Será para os filhos? será para as miúdas? Ou será apenas casa de abate ( estar por lá com miúdas evita alguns gastos e constrangimento­s de hotéis). Os Militares e os policias reclamavam, na hora do problema somos sempre os primeiros na linha da frente…. Cabaz bom é pra eles, carro é pra eles, nem casa temos direito e também temos que lhes dar prioridade, merd… pra isso, TAMBEM QUEREMOS CASA. Notei que o barril de polvora por aqueles lados estava aceso, afinal os caras tinham razão.

O POVO

Como a SONIP e a DELTA marimbaram-se para o povo, este por sua vez tinha que se articular mediante listas, cuja presença devia ser às 16h, as 20h, as 0h, e as 4h da manhã, caso faltasse a umas das chamadas o seu nome que estava nos números 50, rapidamente se transformava em 2182. Notei que até uma pagina no facebook foi criada para actualização dos nomes, o desespero era tanto que as pessoas tentavam a todo custo se organizar diante da displicência da SONIP & DELTA.

Mulheres ficam dias sem tomar banho porque o regresso a casa com o nosso trânsito e as tais actualizações das listas nao perdoam. Vi mulheres sujas, sem rimel, sem baton, apenas com ramela e o desvio da baba pelo rosto, vi a forma como o povo foi deixado a sua sorte, pois nao acredito que nos super cérebros dos técnicos e Directores SONIP ninguém tenha pensado numa forma de inscrição que evitasse o caos que agora se verifica.

OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS.

Não entendi porque raios, os ministérios, serviços ou caixas sociais estão inertes diante da situação, pois a emissão de um oficio com os documentos dos interessados diminuiria muito a vergonha que agora se verifica e aparentaria que os serviços estavam preocupados com o bem estar dos funcionários afinal dar jajão tem as suas vantagens, mas infelizmente nem isso conseguiram fazer, a produção da cidade baixou porque todo mudo marimbou-se para os chefes e para os serviços pois o sonho da casa própria pode ser adiado sine die.

CARICATO

Um indivíduo dormindo no chão desperta as 2h da manha e entra em pânico, diante do tantos corpos inertes ele pensa que todos estão mortos e ele é o único sobrevivente, instala-se o pânico… Estou aonde (esqueceu que dormiu no chão duro da nova centralidade) Todos morreram e eu sou o único que estou vivo, socorroooo as pessoas acordaram e o indivíduo levou pouco menos de um minuto para ser acalmado e voltar a realidade dura onde estava….

Devido a prioridade que estava a ser dada aos deficientes, e doentes, alguns foram buscar os pais doentes em casa, os primos, os vizinhos ( o objectivo era entrar, pois o processo nao precisa ser personalizado),­ soube que alguns deficientes estavam a cobrar também para tal desiderato, afinal o sistema articula-se por si. Senhoras que levaram as crianças para alegada prioridade, mas encontraram um batalhão de cérebros que pensaram o mesmo tendo que fazer uma fila igualmente enorme pra elas com as gravidas incluídas.

Notei que o povo foi levado ao limite da humilhação e que provavelmente ninguém esquecera as vicissitudes que passou para conseguir tais imóveis e que a seu tempo respondera a isso. O Kilamba transformou-se no novo ponto de encontro, vi amigos de longa data que nos chamam por aqueles nomes que nunca mais ouvimos, vi colegas de faculdade alguns transformados em magistrados mas na mesma luta, vi a realidade da nossa vida que tem estado escondida dentro de casa (arrendada), vi o espirito ser torcido, o orgulho fugiu, a vergonha afastou-se, a vaidade esgueirou-se, a arrogância nem foi pra lá, vi força, vi perseverança, vi oportunismo, vi conquistas, vi sorrisos na dificuldade, EU VI O POVO A SOFRER.”- Fim de citação.

( CC: cópia para Membros do Executivo/Casa Civil/­Administração Sonangol/ SINIP-Delta/­Redacção ” Jornal de Angola”/ Comando das Forças de Segurança Pública/Forças Armadas/ POVO EM GERAL ).

—-

Este depoimento é conclusivo o suficiente, para se ter noção de como esta a se realizar a venda de casas. Refletindo um pouco, bem, como absorvendo o que foi dito a respeito do assunto, escrevi umas poucas linhas que podem ser pertinentes.

Porque não se implementaram formas alternativas de inscrição? Não seria possível ter-se criado um departamento no ministério da habitação, na propria Sonangol, para os seus funcionarios, ou algo semelhante?

Inscrições pela internet seria outra boa opção. Alias, la fora, sempre que acontecem este tipo de “eventos” de abrangencia nacional, se criam serviços online, sejam sites, paginas ou portais. Aqui, “népias”.

Os funcionarios da sonangol nem sequer tiveram um departamento nos seus estabelecimentos, ou um atendimento em separado, apesar de as casas serem vendidas por esta mesma empresa.

Nem mesmo os já inscritos no quase extinto projeto cajueiro, e que estão a pagar a cota desde 2000, tiveram qualquer atendimento preferencial ou prioritario.

O mais importante para o triaangulo Delta-Sonip-Executivo, parace ser mesmo os cifrões a serem pagos pelas casas. Isto porque os inscritos tem apenas conco dias para entregar o montante correspondente, que pode abranger somente a renda de um ano, ou acrescido do capital iniciala. Estes valores podem passar os 20 mil dolares, dependendo do tipo de casa.

Mais uma vez, o pais mostrou que avança ao pé cochinho! Não se consegue criar ou organizar ada que seja um exito; tirando claro está, comícios, festas e afins. Ai, tudo sempre corre maravilhosamente bem, ninguem fica sem pincho e muito menos sem cuca!

Não se vê (pelo menos eu não me apercebi) nenhumplano alternativo para contornar esta situação lastimavel. O governo teria a obrigação de intervir, não só criando um plano alternativo, mas também pondo cobro aos esquemas de currupção e punindo os aproveitadores que sempre aparecem neste tipo de ocasioes.

Assim, parece que o executivo apenas faz as coisas para “ingles ver”, para mostrar na TPA e no JA, que está a resolver os problemas do povo, para nos despachar e para se livrar de qualquer maneira dos problemas pendentes do país. Verdade seja dita, nós, o povo nada fazemos para granjear o respeito e a consideração do tal do executivo.

Jornalismo em Angola nas Vésperas das Primeiras Eleições Atípicas

•Junho 21, 2012 • 2 Comentários

Como já é de conhecimento geral, tanto a nível mundial como a nível internacional, as próximas eleições, a ser realizadas em conformidade com a nova Constituição da República de Angola (modelo eleitoral atípico), agendadas para 31 de Agosto de 2012, serão as primeiras do género no país (e provavelmente no mundo, mas isto é materia para outra ocasião). Perante tal facto, não podemos deixar de observar o comportamento dos principais órgãos de informação do país durante esta época crucial da nossa história. Alguns comentários sobre essa matéria seguem:

A motivação (e inspiração) para escrever este artigo foi, na verdade, um comentário lido no site Club-K, onde o comentador, depois de expresser a sua opinião, “postou” a «equação» “CLUB-K = TPA * -1” seguida do comentário “(pra quem entende de matemática sabe bem o q isso significa)!!!”. Recorrendo (talvez até erroneamente) às minhas parcas noções da «ciência dos números», descortinei essa expressão, o que me levou a crêr que o comentador quis dizer que a TPA e o Club-K são, de facto, a mesma coisa, mas em lados opostos da linha numérica.

Ora, seria redundante e talvez até supérfluo dizer que a TPA, em termos de jornalismo no contexto eleitoral em que vivemos no país, parece mais uma ferramenta de propaganda política, ou como já tivera sido [adequadamente] apelidada, um órgão de «desinformação» do Governo (para quem duvida disto basta assitir uma edição qualquer do telejornal, o principal serviço noticioso da estação). Podemos até estender essa afirmação aos outros órgãos de informação estatais, nomeadamente a RNA (numa escala similar à TPA) e o ínfame Jornal de Angola (que na minha opinião, representa o cúmulo do jornalismo e provavelmente até já deveria ser encerrado, ou no mínimo, ter mudado de administração)!

Em contrapartida, quanto a «equação» proposta anteriormente, acredito que seja verdadeira até certo ponto. O Club-K é, claramente, um portal de informação anti-Governo. Ou isso, ou os artigos pró-Governo ou simplesmente neutros políticamente não satisfazem o critério de selecção do referido portal. Um dos motivos pelo qual digo isso é o conteúdo de artigos na secção de opinião do portal. Na sua maioria, são anti-Governo, com alegações muitas das vezes infundadas e altamente tendenciosas. Este artigo foi escrito no dia 21 de Junho de 2012, mas acredito que mesmo após esta data a situação permanecerá a mesma! Adicionalmente, em outras secções do referido portal, podemos encontrar títulos como “CNE em vias de contratar a mesma empresa que ajudou alterar os resultados das eleições de 2008” e mais gritantemente “BP do MPLA faz de William Tonet bode expiatório para desviar atenções da manifestação dos ex-militares”, uma notícia obtida através da Angop cujo conteúdo sofreu apenas alterações mínimas e o título original é «MPLA desmente participação de William Tonet no movimento guerrilheiro». A explanação sobre o assunto poderia até provavelmente levar algumas páginas se fossemos dissecar detalhadamente o que considero «falhas jornalisticas» deste portal, então uso essas apenas a título de ilustração, confiante que qualquer leitor apartidário, ou pelo menos íntegro, saberá reconhecer outros atropelos cometidos por este portal. Porém, não obstante as afirmações feitas acima, ainda acredito que em termos jornalísticos, o Club-K é superior aos órgãos estatais previamente mencionados neste artigo.

Concluindo, infelizmente durante este periodo crucial da nossa história, as informações que chegam até as pessoas mais interessadas são altamente partidarizadas, tendenciosas e invariavelmente sensacionalistas, influenciando os leitores, telespectadores e ouvintes da maneira desejada pelos autores das mesmas. Infelizmente, a prática de jornalismo independente, apartidário e efectivamente apolítico, jornalismo focado no acto de informar o cidadão, jornalismo no verdadeiro sentido da palavra, ainda não se faz sentir no nosso país, tanto por parte dos apoiantes, tanto por parte dos opositores do governo, excepto alguns esforços evidenciados por alguns semanários da nossa praça.

É importante salientar que um órgão de comunicação com as características descritas acima, com jornalistas capazes de analisar aspectos concernentes a todos os Angolanos da maneira apresentada no parágrafo anterior, é um requisito INDISPENSÁVEL tanto para a instauração da Democracia em Angola, como também para o desenvolvimento social, politico, económico, académico (educacional), cultural, etc… da nossa Nação. A informação verdadeira, sem agendas ocultas, é a base para a prosperidade de uma nação no contexto mundial actual, especialmente no contexto africano, que é essencial criar uma autonómia e o desenvolvimento a se alcançar deve ser auto-sustentável (tal como anteriormente, esta também é material para outra ocasião).

Victor de Barros

Sacos com a Mesma Farinha

•Abril 1, 2012 • Deixe um comentário

Image

Já tivera lido algures, em alguma ocasião, que a política é um assunto demasiado sério para ser deixado apenas para políticos. Perante a situação vivida no nosso país, não poderia concordar mais com tal afirmação.

De facto vivemos sob o jugo de uma “geração da distopia”; de facto temos um país de rastos, com uma economia fragilizada e com um sistema governativo no mínimo questionável; de facto estamos muito aquém de concretizar o potencial da nossa nação… É verdade, contra factos não há argumentos.

Contudo, a questão que advém de tais factos é a seguinte: o que fazer com relação às questões levantadas? Desculpando-me antecipadamente pela insolência, acredito que os políticos angolanos não demonstram nem noções, nem a capacidade de dar respostas às mesmas: enquanto uns negam contudentemente uma realidade irrefutável, outros personificam essas mesmas verdades, dando um carácter demoníaco ao suposto responsável destas. A minha sugestão para a resolução de tal situação consiste na criação de uma nova disciplina: engenharia política.

Durante a minha carreira estudantil, um dos didactas mais emblemáticos afirmou repetidamente que só nos tornaríamos verdadeiramente engenheiros quando entendessemos que tudo depende, que tudo é relativo… e actualmente não só entendo como também compartilho desta opinião. Esta característica infelizmente não é notável nos políticos angolanos. Adicionalmente, a aptitude de resolução de problemas dos nossos políticos deixa muito a desejar: de todos os lados, a atitude apresentada pode ser resumida em “ou é à nossa maneira, ou nada”, geralmente apoiada de leis ou recém elaboradas, ou incostitucionais, ou a serem aprovadas, e por aí em diante!

Um engenheiro político entende que, primordialmente, os interesses do POVO estão em primeiro lugar. Entende que na maior parte dos casos, as necessidades excedem os recursos disponíveis, entende que para haver mudanças devem haver sacrifícios. Muito além disso, tem a capacidade de definir prioridades em termos de alocação de recursos, a capacidade de determinar quais os sacrifícios necessários e de moldar esses mesmos elementos de acordo aos diferentes contextos vividos. Por fim, a característica fundamental de um engenheiro político, como a de qualquer engenheiro, é deter a habilidade de criar as ferramentas necessárias para o alcance dos seus objectivos.

Infelizmente, o nosso governo ainda usa, desnecessáriamente, práticas exageradamente autoritárias para assegurar a sua preeminência. Infelizmente, a nossa oposição é totalmente dependente das deficiências do governo actual, nunca agindo, com grande significância, de uma maneira autónoma, excepto em raras ocasiões. O nosso governo usa da força bruta e a nossa oposição chora pelos cantos, hora como uma criança sensível, hora como um adolescente rebelde. Enquanto o governo censura  a liberdade de expressão, a oposição defende a liberdade de expressão de um povo analfabeto, que pode muitas das vezes nem ter a capacidade de determinar o melhor para si. Os problemas nunca são endereçados, quanto mais resolvidos. Os interesses pessoais nos dois lados se sobrepõem-se aos interesses do povo. A luta política resume-se à uma elite de um lado arrogante e de outro ressentida, geralmente com alto nível acadêmico, que ignora as verdadeiras necessidades do povo analfabeto, que ao invés de casas, estradas e até mesmo escolas e tudo mais, neste momento necessita prioritáriamente de conhecer, e mais importantemente exercer os seus deveres e exigir os seus direitos de forma consciente, sem precisar que terceiros determinem os seus destinos constantemente ao invés de representarem na realidade o seus interesses.

Falo para cidadãos como cidadão: tendo como referência a activadade política actual no país, eu, particularmente, não me revejo nos políticos da nossa praça, tanto os do partido no poder como os da oposição. Eu não acredito que eles têm o meu interesse como sua prioridade. Eu respeito personalidades como Adolf Hitler, e mais localmente Jonas Savimbi, porque não obstante a sua aparente demência, eles são exemplos vivos da engenharia política descrita acima. Eu respeito personalidades como Mfulupinga Lando Victor, pois para além de defender o meu direito à uma casa, uma escola, um professor, ele me fazia entender porquê deveria usufruir destes direitos, como também as razões pelas quais isto não acontecia, fossem elas quais fossem. Em suma, precisamos de instrução para falarmos por nós e não de um grupo de interesse que determine as nossas necessidades. Em nenhuma ocasião os políticos alcançaram progresso; isso é o dever e direito do povo. Tal como não cabe a Deus atingir a salvação mas sim guiar os crentes à este caminho, os políticos devem estar cientes do seu papel como meros guias do povo, atribuindo-lhe as características necessárias para o alcance da sua “terra prometida”.

Nas vêsperas de mais um pleito eleitoral, a falta de respeito dos partidos políticos para com o povo é grotesca. A arrogância e o egoísmo dos mesmos é gritante. A indefernça para com a real situação do povo é evidente embora com esforços para a desfarçar. A maioria de nós são apenas números. Os nossos interesses apenas recebem atenção se forem totalmente pró ou contra o governo. Devemos pertencer à uma elite ou ser agredidos em manifestações para sermos considerados na verdade. Infelizmente esta é a realidade… É verdade, contra factos não há argumentos. E perante isso eu pergunto: POVO, o que fazer com relação às questões levantadas?

Victor de Barros

Angolanos, vamos permitir isto??

•Março 13, 2012 • Deixe um comentário

Irmãos, o que pode ser feito a respeito disto?

quero ler as vossas opiniões!!
Os pacientes Inglês

Juventude de Angola a liderar o caminho para derrubar o Presidente dos Santos

•Novembro 13, 2011 • Deixe um comentário

Título original: Angola’s youth lead the way to unseat President dos Santos

Mais um artigo publicado na imprensa estrangeira, que merece ser traduzido em portugues, e compartilhado aqui com os nossos leitores. O autor, o nosso irmão Rafael Marques, e a portuguesa Susana M. Marques, mais uma vez mostraram o profundo conhecimento da realidade política e social angolana colocando o dedo na ferida, ferida esta aberta a muito tempo e que necessita de ser cicatrizada rapidamente.

Segue o artigo na íntegra:

Depois de ganhar uma das mais longas e violentas guerras civis do continente Africano, o Presidente de Angola José Eduardo dos Santos tem sido focada em consolidar e expandir seu alcance. Estes esforços culminaram na constituição de 2010, que formalizou seu controle sobre o Estado, o executivo, o órgão legislativo e os tribunais. A Constituição estabelece ainda uma forma sui generis de eleger o presidente. O primeiro nome na lista do partido vencedor das eleições legislativas torna-se automaticamente presidente, evitando assim, por parte da população ou da assembléia nacional, à escolha direta do seu presidente.

Até recentemente, a maioria dos angolanos têm permanecido em silêncio face a ganância pelo poder de José Eduardo dos Santos e a corrupção flagrante do regime. Tinham se resignado com o estado atual de coisas temendo um retorno à sangrentas guerras civis do passado.

Isso foi antes de revoltas populares no norte da África, mostrar que os “líderes de longa duração” poderiam ser retirados do poder sem o país mergulhar em uma guerra, e mesmo na ausência de uma alternativa clara liderança. Isso deu esperança aos angolanos, particularmente os jovens. Cidadãos liderados por alguns dos mais famosos rappers revolucionários, como Brigadeiro Mata Frakus, Carbono Casimiro e Explosão Mental, usaram mídias sociais e mensagens de texto para organizar protestos anti-governamentais. Depois de uma primeira tentativa em março, cerca de 200 jovens se reuniram na capital, Luanda, em maio, para protestar contra o reinado de 32 anos de dos Santos. Quatro meses depois, em 03 de setembro, eles voltaram às ruas usando camisetas dizendo: “32 é muito”, protestando contra a escassez de energia e água, a corrupção e apobreza. Em ambos os casos, o governo reagiu com violência, fazendo prisões e abusando fisicamente de vários manifestantes e repórteres.

O julgamento dos líderes do emergente movimento de protestos, que levou à prisão de 18 deles, gerou um novo protesto em seu apoio, em frente ao tribunal. A polícia desencadeou atos de violência e prendeu um líder do grupo da juventude do partido da oposição, Mfuca Muzemba, entre 27 outros indivíduos, que foram testemunhar o julgamento ou estavam simplesmente de passagem. As autoridades tentaram coagir esta segunda onda de prisioneiros a ponto de apontar dedos para os EUA ou a França como os supostos instigadores de tal sentimento anti-governo. O juiz do regime teve de absolver os 27 presos vítimas da fabricação bruta de provas e afirmações contraditórias por parte da polícia.

Apesar de décadas de aniquilação física e política implacável dos adversários, uma banda de jovens, sem filiação partidária, fundo cívico ou uma visão articulada política,está tomando a liderança pública para derrubar o presidente. Isto é o que é preocupante para os detentores do poder.

O que tem feito estes protestos tão significativo não é tanto a coragem alguns, mas a total incapacidade do regime para manter a calma e compostura quando alguns poucos clamam para que o presidente renuncie. É reação violenta do MPLA é que faz o protesto atinja um patamar internacional e seja um catalisador para a solidariedade entre as pessoas.

Em uma tentativa de angariar apoio público para o presidente e desacreditar os manifestantes como um bando barulhento, o MPLA mobilizou alguns milhares de militantes e realizou várias passeatas em 24 de Setembro, em diferentes bairros da capital. Fê-lo com o fechamento dos mercados e ameaçando tomar medidas contra aqueles no setor público, particularmente nas escolas, que se recusaram a participar. No dia seguinte, mais de 100 pessoas organizaram uma marcha até a Praça da Independência para exigir a renúncia do presidente e liberdade para os 18 líderes de jovens presos em 03 de setembro que estão atualmente servindo sentenças de prisão. Os manifestantes só foram capazes de caminhar por 10 minutos antes de se depararem com um forte bloqueio da polícia. A polícia atacou os jornalistas para impedir a cobertura do confronto com os manifestantes, e produziu uma outra pequena vitória para estes, em desgaste a imagem do regime em casa e no exterior.

O bloqueio é uma reviravolta interessante de eventos na história do regime autoritárioem Angola desde a independência em 1975. Na semana anterior, o governo proibiu qualquer manifestação na Praça da Independência que, até março passado, tinha sido o grande palco para todos os grande mobilização e eventos de massa pelo MPLA em seus anos 36 do poder. Agora, o regime teme Praça da Independência poderia ser transformado em uma Praça Tahrir, para a juventude vê-lo como um símbolo para uma segunda independência, desta vez do regime e seu governante de longa data, Dos Santos.

Dos Santos agora se tornou a principal causa da volatilidade que Angola está experimentando atualmente. Depois de anos de evisceração das instituições de Angola para tomar o poder para si, Dos Santos privou o país de bem-testados mecanismos para lidar com as crescentes demandas de seu povo e aos choques externos. Não só isso, mas ele também não conseguiu nomear sucessores no âmbito das instituições que ele criou e controla, estabelecendo o palco para lutas de sucessão potencialmente destrutivos. Relatórios recentes sugerem que Dos Santos pode nomear o executivo-chefe da companhia petrolífera Sonangol como seu sucessor, mas não há indicação clara de queDos Santos vai realmente fazer a nomeação. Na verdade, muito parecido com Louis XV, em sua época, o presidente parece determinado a governar Angola em seus termos até o fim, mesmo depois dele, vem o dilúvio.

Esta foi uma tradução do artigo. Alguns erros que possam ter sido cometidos, são da inteira responsabilidade dos administradores do blog.

Para ler o artigo original, basta seguir o link: http://bit.ly/ofXjkP

Autores do Artigo original: Rafael Marques de Morais, Jornalista e ativista angolano, e Susana Moreira Marques, jornalista freelancer portuguesa.

Artigo publicado no jornal britânico The Guardian. http://www.guardian.co.uk

A ganancia pelo poder de José Eduardo é muito perigosa para o país

•Outubro 20, 2011 • Deixe um comentário

Marcolino Moco, ex ministro do regime MPLA, e agora um crítico assumido de José Eduardo/MPLA, e defensor dos direitos humanos em Angola, disse, ao famoso jornal BUSINESS WEEK, que:

A ganancia do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, à 32 anos no poder é “muito perigoso” para o país.

Publicamos abaixo o artigo traduzido.

O povo angolano desfruta de menos liberdades individuais e direitos humanos hoje, do que durante o período de governo de partido único entre 1975 e 1992, Moco, um professor de Direito da Universidade Agostinho Neto, disse a jornalistas ontem na capital, Luanda.

O movimento Popular dos Santos para a Libertação de Angola, ou MPLA, ganhou 82 por cento dos assentos nas eleições de 2008 parlamentares, o primeiro em 16 anos. O partido mudou a constituição para que os legisladores eleijam o presidente, demolindo a votação pública prevista para 2009.

Na semana passada MPLA sinalizou pela primeira vez que a era Dos Santos na vice produtora de petróleo da África subsahariana pode estar chegando ao fim. O presidente pode demitir-se antes ou depois das eleições parlamentares do próximo ano, Rui Falcão de Andrade, membro do bureau político do partido, disse em uma entrevista de 06 de setembro.

Um tribunal em 12 de setembro condenou 18 manifestantes que exigiam o fim da presidência José Eduardo dos Santos a três meses de prisão, e sentenças similares estão pendentes contra cerca de 30 dissidentes mais. a organização “Human Rights Watch” (Defesa dos direitos humanos) condenou os ensaios, e Moco disse as sentenças vão mostrar se os tribunais são independentes de Angola ou uma “extensão” do executivo.

Moco foi primeiro-ministro entre 1992 e 1996. Ele foi demitido por Dos Santos depois de propor negociações para pôr fim a guerra civil que começou com a independência do país em 1975, demarcando-se dos ideais do seu seu ex partido, de que os rebeldes devem ser esmagadas, de acordo com reportagens da época.

—————————————————————-
Para ler o artigo original:
Editores: Ben Holland, Heather Langan.

Para contatar o repórter nesta história: Candido Mendes, em Luanda,cmendes6@bloomberg.net.

Para contactar o editor responsável por essa história: Sguazzin Antony emasguazzin@bloomberg.net.