Coisas que me fazem confusão na cabeça

Viver em Angola requer um elevado grau de paciência e calma. Sendo este um país com menos de 40 anos de idade e vítima de várias guerras desencadeadas ainda antes da sua independência e levadas a cabo até mesmo a década que findou, a realidade que aqui se vive é atrofiada. Nota-se porém, um esforço genuíno no desenvolvimento de certos aspectos deste país. Sempre que visito deparo-me com novos edifícios, estradas, empreendimentos, restaurantes, hotéis, e por aí em diante. Hoje gozo de internet wireless de banda larga quando a meros aninhos só tinha net por cabo. Prolificam-se as multicaixas (ATMs), mais e mais lugares aceitam cartões Visa, e nota-se uma grande variedade de novos negócios a abrirem-se, muitos deles com capital estrangeiro, o que denota a presença do sempre importante investimento externo.  Há também muitos negócios a abrirem-se com capital somente angolano, mostrando que temos uma valente veia empreendedora. Até mesmo o ‘glorioso’ aeroporto 4 de Fevereiro já demonstra sinais de não ser o pior aeroporto do continente. Isto para não falar nas obras exemplares do aeroporto de Lubango, ou a nova estação ferroviária de Malange…

Mas, infelizmente, continuo a constatar que não obstante todo este desenvolvimento ‘físico’ e infra-estrutural, o nosso desenvolvimento mental continua o mesmo, ou mesmo, pior ainda. Ás vezes parece-me que neste prisma, regredimos. Os nossos comportamentos uns com os outros, as nossas atitudes e a nossa mentalidade não está a acompanhar o tipo de desenvolvimento que descrevi acima. E é aí onde se torna necessário a tal paciência e calma para se viver aqui, porque cada dia deparo-me com verdadeiros atentados a decência humana. São várias as coisas que me fazem confusão a cabeça, que me fazem levar as mãos ao nguimbo em puro desespero. Leia então, abaixo, os oito pontos que me fazem muita confusão na cabeça.

1. A nossa arrogância

Noto em nós uma grande arrogância para com outros países africanos e o mundo em geral. Talvez por estamos a fornecer petróleo às verdadeiras grandes potencias mundiais, nos subiu a cabeça que também somos uma potencia mundial e como tal todo mundo deve subjugar-se aos nossos pés. Ou talvez é porque a nossa economia cresce aos dois dígitos enquanto o resto do mundo afunda-se numa grave crise mundial. Por altura da União Europeia ter banido a TAAG dos seus céus, junto com dezenas de outras empresas aéreas mundiais, em vez de seguirmos o exemplo dos outros países que viram as suas companhias aéreas banidas e partiram logo para a reestruturação das mesmas, a nossa primeira reacção foi aplicar medidas de reciprocidade, sem termos razão para tal.

É verdade que somos o segundo maior fornecedor de petróleo da África subsaariana e que a Nigéria esta rapidamente a perder terreno. É verdade que na SADC somos uma potencia no verdadeiro sentido da palavra, e que nesta região só mesmo a África de Sul detém uma maior economia, mais poderio militar, etc. É verdade que estamos a fazer subir prédios altos e a construir estradas.

Mas o que é realmente ser uma potencia? O que é realmente o desenvolvimento? Há dias quando estava enfiado num buraco em pleno bairro Palanca, acabado de sair de igual buraco no bairro do Golfe, olhei ao meu redor e admirei o nível da verdadeira miséria e a quantidade de lixo que a grande maioria de luandenses enfrenta todos os dias. Nestes bairros, onde a comida é vendida ao lado do lixo, é difícil notar o crescimento da economia. Quando chove e o teu carro entra numa cratera viscosa em pleno Mártires, numa rua que nunca foi asfaltada, é difícil perceber que estamos na cidade mais cara do mundo. Estamos sempre a subir? Desenvolvimento? Potencia mundial? Será que são os prédios que estão a nos iludir? Basta sair do círculo restrito da capital onde acontecem todas as obras e ‘dar uma volta’ por aquele mar vermelho luandense de terra batida, onde acaba o asfalto (passar a fronteira, como diz o meu primo) para perceber realmente quanto falta por fazer.

A humildade faz bem.

Um dos muitos marcos que se usam para definir o grau de desenvolvimento de um país é o seu serviço de telecomunicações. Quantas pessoas têm acesso a telefones celulares? E a internet? Quantos subscritores de banda larga fixa existem por cada 100 habitantes? Temos aqui mesmo ao lado de nós países muito menos arrogantes que ostentam um nível de vida muito superior ao nosso, estando também muito mais ligados ao mundo. Só aqui na SADC, em 15 países, Angola surge em numero 11 em utilizadores de internet por 100 habitantes, com 3,28. A lista é liderada por Seychelles, Ilhas Maurícias, e Zimbabué. Cabo Verde: 29,67. No que toca a subscritores de banda larga fixa, Angola surge outra vez na 11 posição, com 0,11, numa lista novamente liderada por Seychelles, Ilhas Maurícias, e Zimbabué. Cabo Verde: 1,38. (números tirados de um artigo da Revista Exame número 11, Dezembro/Janeiro 2011)

Portanto, isto serve para dizer que antes de nos arrogarmos a tentar provar a todo mundo que somos um país desenvolvido, é bom providenciar aos nossos cidadãos serviços básicos das mais diversas índoles. Não ouvimos discursos musculados vindo dos países citados acima (de bem que Zimbabué foge a regra). Somos sim uma potencia, mas ainda nos falta traduzir este potencial para actos concretos que melhoram a vida do cidadão comum.

2. A Policia Nacional

Certo dia estava com os meus primos a sair de Talatona para o centro da cidade. Pelo caminho, em plena estrada da Samba, o nosso carro avariou. Teve que vir um outro primo puxar o nosso carro desde lá até a Maianga, uma tarefa árdua para quem conhece a maneira ‘linda’ como o luandense conduz. Ainda por cima era um jipe a puxar o outro. Nas imediações do prédio da Sonangol, depois de todo aquele caminho andado e a meros minutos de casa, surge um policia num destes Audis novos com que eles agora adoram fazer banga. Transcrevo a conversa que sucedeu:

PT (Policia de Trânsito) – Carta de condução e documentos da viatura.

V (Victor, meu primo) – Aqui estão senhor agente. Fiz alguma coisa de errado?

O agente olha para os documentos (em dia) e para a carta de condução (também em dia). Olha para os dois carros, um a puxar o outro.

PT – BI se faz favor.

V – …não tenho o meu BI comigo, senhor agente.

PT – O motorista não sabe que não pode conduzir sem o BI?

V – Não, senhor agente, isto nunca me foi dito na escola de condução. Será que isso é uma nova lei? Aonde é que está escrito?

PT – Escrito? Não é preciso estar escrito, podes perguntar a qualquer pessoa e eles vão te dizer que não podes conduzir sem BI.

V – …

PT – E aonde está o triângulo da viatura?

V – No porta bagagem, senhor agente.

PT – O motorista não sabe que não pode rebocar outro carro sem mostrar devidamente o triângulo?

V – Não sabia, senhor agente. Mas tenho os intermitentes dos dois carros ligados e como viu estávamos a andar devagar.

PT – Sem o triangulo à mostra pode matar gente! O senhor está a pôr em perigo a vida dos outros motoristas!

V – …como Sr. Agente? Estou com os intermitentes ligados e a anda a uma velocidade bastante responsável!

PT – O senhor vai ter que pagar multa por pôr em jogo a vida dos ouros motoristas. Siga-me por favor.

V – Com os dois carros!?

PT – Sim senhor, com os dois carros.

Não fazendo mais menção do tal triângulo assassino, e com os documentos do Victor na mão, o policia mandou-nos seguir o seu carro com os nossos (!) e bastou fazer mais duas ou três curvas, a corda que puxava o nosso jipe estalou. O policia mal abrandou e foi-se embora. Com os documentos do Victor.

Não obstante termos resgatado depois os tais documentos, é por essa e por outras que a policia nacional angolana me faz confusão na cabeça. Ou seja, numa sociedade aonde o cidadão comum tem quase tanto medo da policia como o bandido, algo vai mal. Em vez de ter a segurança social como a sua primeira preocupação, o agente preferiu nos fazer a vida negra. Não custaria nada nos ajudar, pondo o triangulo por cima do carro, por exemplo. Mas optaram pela opção que mais nos complicaria a vida. O grau de corrupção na policia já atingiu graus cómicos: no outro dia o meu primo estava no candongueiro quando este foi parado por um agente. O agente fez se a janela do motorista, e este tentou dar-lhe os seus documentos.

“Documentos?!”, perguntou, incrédulo, o agente. “Vocês estão sempre na ilegalidade. Não é documentos, você já sabe o que tem que fazer,” disse o agente, levando consigo os documentos do motorista. O motorista sai do candongueiro com uma nota de 1000 kwanzas na mão, e volta poucos minutos depois com os seus documentos.

Histórias como essa, todos nós temos, e aos pontapés. É verdade que os policias ganham muito pouco. Mas o abuso que nos fazem já começa a ser ridículo.

3. Os nossos preços

A nossa realidade socioeconómica faz com que a vida em Luanda seja cara. Não há como escapar isto. É uma simples lei económica: quando a procura é maior que a demanda, os preços sobem. Com o nosso crescimento económico e o constante influxo de expatriados, não vejo os preços a desceram tão cedo. Agora, uma coisa é certa. Há esta realidade, mas também há a especulação. O que me faz confusão na cabeça é esta especulação, que faz com que, por exemplo, um melão na Casa dos Frescos custe mais que $100. Muitas das vezes a sede para lucros fáceis e rápidos faz com que vários empreendimentos pratiquem preços altamente injustos.

Sinto também que existe um foco desproporcional para com a clase média alta e clase alta por parte de investidores privados tanto nacionais como estrangeiros. Pergunto-me se há mesmo dinheiro suficiente neste país para as tantas casas de alta renda e condomínios de luxo que se constõem por toda Luanda e não só. Será que é sustentável? O mercado aguenta? E quando esta benesse vinda do petróleo acabar? Dizem os mais esclarecidos que aqui há mesmo este dinheiro todo…só me resta esperar para ver. Para pôr as coisas em perspectiva, o futuro penthouse da Torre Ambiente, a ser construída na Marginal, custa $9 milhões e parece ser o apartmanto mais caro do continente…a penthouse no sexagésimo andar do One Rincon Hill, a torre mais alta de São Francisco, custa $3.3 milhões.

4. Falta de investimento na educação

Por mais dinheiro que o estado faça (e olha que o PIB está em franco crescimento de ano para ano) a fasquia destinada a educação continua a ser irrisória: 4,4% para o ano 2011. O valor da educação no desenvolvimento de um país é de extrema importância, e todos os dias vemos as causas directas da fraca qualidade de educação no país. Na semana passada estava uma amiga a contar-me sobre a corrupção gritante na universidade onde estudava, corrupção esta que a levou a deixar o país para estudar fora, porque já não aguentava mais. Fizemos juntos uma pesquisa na net e chegamos a conclusão que em várias listas das 100 melhores universidades em África, nenhuma é angolana. Algo está podre no nosso sistema de educação, e não vejo ninguém de direito a colmatar esta grave lacuna.

5. O serviço ao cliente/consumidor/cidadão

Isto já nem deve ser novidade para vocês, e nem vou falar muito sobre isto. Aqui em Angola o conceito de customer service parece não existir, e ponto final. Abrem novas lojas, novos restaurantes, novos serviços e o atendimento parece ser o mesmo: os funcionários nos atendem mal, respondem mal, actuam como se estivessem a nos fazer um grande favor. É stressante. Não sei se o salário é pouco, mas em países mais pobres que Angola ou pelo menos no mesmo patamar, nunca fui atendido assim.  O que custa atender condignamente um cliente? O que custa prestar-lhe um serviço personalizado? O mesmo sucede com o atendimento ao cidadão por parte de funcionários públicos. Quase nada é feito sem a gasosa. Esta prática está enraizada no nosso dia a dia. Mesmo assim, custa-me aceitar que é mesmo assim que as coisas funcionam. O conceito de que eu tenho de pagar um funcionário público para que faça o trabalho que o seu salário exige, faz-me confusão na cabeça. E sabendo que eu terei de pagar gasosa, se pelo menos me atendessem bem…e isto leva-me ao meu ponto seguinte:

6. A ‘complicação’ às pessoas

Todo angolano e não só saberá exactamente do que falo. O angolano adora complicar o outro. Para qualquer documento, precisas de N fotocópicas, carimbos, visitas ao notário, e por aí em diante. Neste país, a mais fácil tarefa ou procedimento vira logo um bicho de sete cabeças e vários dias perdido no trânsito. Vais renovar um documento, falta-te qualquer coisa mínima, ou chegas 10 minutos antes que fecha o posto de atendimento, e o funcionário não tem a mínima vontade de te ajudar. “Volta amanhã,” é a resposta. Como se amanhã não trabalhasses, como se amanhã não tivesses mais que fazer, como se pudesses perder outro dia a tentar ir de Viana para Luanda antes que o funcionário decida sair para o almoço uma hora antes do que devia. Tudo que pode ser tornado fácil, é tornado mais difícil, em quase todas as áreas da sociedade, desde a governação ao comercio geral. É como se todo mundo trabalha simultaneamente contra si. Faz-me muita confusão na cabeça.

7. A “aposta” no turismo

Precisamos urgentemente de diversificar a nossa economia. O petróleo não durará para sempre, e não podemos depender dos seus preços flutuantes. O governo tem estado a tentar fazer isso mesmo, ao apostar mais na agricultura e no turismo, entre outros sectores. Mas será a aposta no turismo séria? E se assim for, porquê os preços absurdos das passagens para Luanda? Por que não acabar com o parentesco a TAAG e abrir as nossas rotas aéreas ao mercado livre? E os preços dos hotéis? E mais importante ainda, porquê as dificuldades na concessão de vistos? Faz-me confusão na cabeça esta aposta no turismo quando é difícil para o meu amigo estrangeiro obter um visto angolano, comprar uma passagem aérea milionária, pagar centenas de dólares por noite num hotel de qualidade duvidosa, e gastar rios de dinheiro após o desembarque. Quando poderia ir à Moçambique por muito, mas muito menos dinheiro e muito menos transtornos. Se quisermos ser competitivos no mercado de turismo, temos muito que mudar.

8. Receseamento Militar

Uma simples pergunta: porquê? Não podemos sair do país sem ele, e mais parece uma relíquia do tempo da guerra. Mas o que mais me faz confusão é o facto de o documento, pelo menos no meu caso, ser conseguido apenas com cunha e mais nada. Dou uns milhares de kwanzas alguém, não sei se o estado vê um centavo deste dinheiro, e um dia depois tenho este documento, que não sei bem para que serve realmente. Quem beneficia com ele? Porque o manter?

Podemos ser um grande país, uma verdadeira potência africana, mas antes de tal teremos de mudar a nossa mentalidade. É urgente.

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~ por Havemos de Voltar em Janeiro 10, 2011.

7 Respostas to “Coisas que me fazem confusão na cabeça”

  1. muito bem dito.. tudo verdade primo… e ate devias falar sobre as saidas de noite ke tens ke entrar com tal ou ser tal pra nao ser barrado…

    a realidade do nosso pais é muito triste mesmo…

  2. Muito bem visto cláudio mo bra, se tivessemos de continuar a fazer essa lista seria interminável mas eu não posso deixar de acrescentar algumas coisas que a mim fazem confusão, na verdade fazer confusão seria ser muito brando,são coisas que irritam-me mesmo profundamente, f… o juízo, como por exemplo a falta de opinião própria e sentido crítico das pessoas, o facto de uma instituição do ensino superior valorizar mais a indumentária do estudante ou todo o seu aspecto físico do que a sua capacidade intelectual dos estudantes, hipocrisia dos que dizem “acreditar” que Angola não é um país extremamente corrupto, quando todos nós temos consciência que pelo menos uma vez na vida fizemos recurso a “gasosa” para resolver algum questão ou pra vermos-nos livres de uma enrascada isto deixa já de ser hipocrisia é idiotisse quando se fala em corrupção não se trata apenas do alto funcionários públicos,dos chefes é uma corrupção que começa na base e vem corroendo a nossa sociedade,mas algo com que eu realmente me passo é com os nossos governantes papagaios,que só sabem repetir ou reafirmar o que o camarada sua excelência diz, eu não sei se eles quando são nomeados para ministérios,governos provinciais,secretárias de estado, etc,é pra fazer este trabalho, pra isso seriam assessores de comunicação da presidência, bem não me vou me estender mais, não quero aqui fazer um artigo paralelo, felicitações.

  3. Por acaso Micaela. Outra maka mais – sentir-se humilhado ao saír à noite no teu próprio país, quando no estrangei entras à vontade. Exclusão social e racismo ao seu melhor.

    João meu bro, realmente a minha lista está algo incompleta, fazes mencão de temas muito importantes. É mesmo muito estranho que não exista qualquer tipo de discórdia no discurso politico oficial nem opiniões diferentes, mas sim a repetição dos mesmos discursos. Estranho, mas acima de tudo triste.

  4. grande artigo primo… é bom q as coisas que se passam no quotidiano e que sao discutidas nao morram so por ai. acredito que esta seja mesmo a maior função deste nosso cantinho: manter as opinioes, as vivencias, as realidades vivas e dividi-las com o maior numero de pessoas possivel. voltando ao artigo, ate acho que devias re-entitula-lo “coisas que NOS fazem confusao na cabeça” hehehe. o nosso pais tem esses problemas todos, mas na minha opiniao, estes sao so mesmo apenas sintomas. a grande cena que me faz mesmo confusao, e que mencionaste implicitamente no artigo (principalmente no 1º ponto…) é a atribuiçao de prioridades nesse pais… nao entendo como eh que as pessoas priorizam grandes hoteis por exemplo, se sequer energia electrica pode ser providenciada. como eh que as pessoas implementam o check in online na nossa companhia aerea das bandeiras apesar de literalmente tudo o resto nao ser funcional. como eh que as pessoas priorizam os petroleos a educaçao, a agricultura, pescas e desenvolvimento rural, as ciencias e tecnologia … em suma, como pode o petroleo ser a primeira prioridade do pais, que mesmo nessa area, prioriza a exploraçao ao refinamento… essas situaçoes todas sao completamente absurdas e acho q sao as maiores causas para as consequencias que foram mencionadas no artigo. as pessoas precisam priorizar as coisas de uma maneira racional. a cena ta tao enraizada no nosso ser que ate nos contextos mais reduzidos isso eh notavel. fazendo mencao ao comentario da micaela, os jovens vao pra discoteca primeiro pra mostrar que podem entrar, e depois, pra ver e aparecer, tanto eh que se pedes a uma jovem pra dançar , de 50 a 65% das vezes es rejeitado, ao menos claro que sejas “bem apessoado” ou que essas raparigas forem tuas primas e irmas… me pergunto se o proposito da discoteca n eh a dança… sei que ha mais sobre isso, mas esses sao outros assuntos. outra coisa que me poe ensalsado eh a imaturidade das relaçoes entre os jovens. as pessoas priorizam o controle ao inves da confiança. a tendencia (princpalmente masculina) eh, a minha dama nao pode ter amigos, nao pode sair de casa a noite, nao pode dançar com outras pessoas ao inves de dizer, deixa ainda a minha dama dançar com o moço pra ver o que que acontece, ao inves de dizer deixa ainda averiguar se esses gajos sao mesmo amigos da dama ou ela anda a me por uns cornos. sei que tambem ha muito mais a dizer sobre isso, mas a ideia principal fica assinalada.
    enfim, apos de tantas digressoes do fio do artigo, graças ao poder inspiracional que o autor tem sobre mim (ehehehe filha!!!) finalizo o meu contributo com o seguinte: a coisa que Nos faz confusao na cabeça: o raciocinio angolano, desde o mais velho ao mais novo, desde o mais rico ao mais pobre, desde o mais branco ao mais negro, desde cabinda ao cunene… tenho dito

  5. caros irmãos, e concidadãos, realmente, ha varias coisas que NOS fazem confusão a cabeça.
    antes de vir pro Brasil, fui parado por um dos muitos agentes de transito da polícia de Luanda. ele me disse, que eu criei outra fila de trânsito, quando na verdade eu ja encontrei aquela fila. ela disse que so viu o meu carro. pediu os meus documentos como sempre, e ainda me fez esperar um monte, porque havia um acidente la a traz. depois foi ter comigo e como tinha um documento espirado, ele pergunto se queria receber a multa, ou me organizar, e logo depois falou, “poe aqui dois saldos”. nem esperou eu lhe falar em dinheiro. agora os policias ja nao esperam voce falar, eles ja te pedem.
    sobre as famosas discos, tens q fazer um plano lixado pra entrares. se forem varios homens, tem q se dividir dois a dois, e ainda tens q escolher bem o teu par, heheh. tanto espetaculo n sei porque, se voce inda vai consumir lá. sinceramente, axo k em angola n tem discos de verdade. acabas por ver sempre as mesmas pessoas. discoteca de verdade, viriam pessoas de outras cidades, ou ate mesmo de outros países, so pra curtir uma noite. ja vi casos destes acontecer, por exemplo no rio d janeiro, nas melhores discotecas acontece isso.
    mas pronto cada um tem o que merece…
    havemos de voltar, sempre!!

  6. africa e um continete de grande cultura e tradiçao e o povo da nossa e um povo batalhador povo lutador e um povo que construi o nosso pais com sofrimento fe e coragem.

  7. Concordo que temos que mudar muito a nossa consciência. Entretanto, há que ressaltar que quando a maioria das pessoas fala sobre “Mudança de consciência”, elas estão apenas a se referir aos outros e não a eles mesmos. Vejamos: Como é que você critica a atuação da PT quando você anda com os documentos expirados? Nesse caso, você também está ilegal, e precisa mudar a tua mentalidade antes de apontar o dedo na PT.

    Outra coisa, a questão das Discos. O facto de alguém ir para uma disco, não implica que ela tenha que dançar com qualquer um. Isso é uma decisão pessoal, e ninguém pode criticar excepto se a recusa for acompanhada de comentários indecentes ou sem noção. Disco é para dançar e desanuviar sim, mas posso decidir fazê-lo sozinho ou com quem eu bem entender. Sendo assim, mudança de mentalidade requer respeito das decisões dos outros onde quer que seja.

    Educação, Saúde, Agricultura e outros tantos sectores merecem uma atenção especial para o verdadeiro crescimento e desenvolvimento do nosso País. Entretanto, para tais melhorias é necessário investimento, quer seja externo ou interno (estatal ou privado). A priori, a nossa economia depende maioritariamente do Petróleo, logo “boa” dos investimentos derivam-se a este sector ou áreas afins; mas poderia se investir mais em outros sectores com grande potencial (que não são pouco em Angola). Acho que o grande problema é a falta de Planejamento e/ou Gestão dos Projetos que existem (se é que existem) em Angola.

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