Poligamia

Hello people,

Finalmente o meu primeiro post! Consegui encontrar algum tempo para reflectir e post’ar uma cena que acho interessante e que me vem dando a voltas a cabeça. Então aqui vai:

No dia 4 de Janeiro, se não estou em erro, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, casou pela quinta vez, aumentando para três, o número total das suas esposas actuais. Três, pois ele é viúvo de uma e divorciado da actual ministra do Interior do mesmo país. Na África do Sul é permitida a poligamia por razões culturais. A lei foi admitida em 1998, mas é apenas aceite em casamentos realizados de acordo com as tradições africanas.

Para quem não sabe, a poligamia é a relação de uma pessoa com mais de um cônjuge. Este termo divide-se em duas vertentes poliginia – casamento de um homem com várias mulheres – e poliandria – casamento de uma mulher com vários homens. A poliginia é a mais comum e é praticada desde a muito tempo nas sociedades humanas. Segundo as minhas fontes, a Bíblia não a condena, podendo até serem encontradas algumas referências no Velho Testamento com o Rei Salomão (Reis 11:3) ou com o Rei Davi (2 Samuel 5:13). Actualmente algumas sociedades muçulmanas e africanas aceitam este tipo de enlace.

Jacob Zuma marriages

Cultura ou desrespeito?

O evento do dia 4, referido acima, troce novamente à tona este tema que à muito é debatido em diversas sociedades do mundo. Lembro-me de nesse dia ter assistido o telejornal de algum canal e nele terem apresentado esta notícia de forma negativa, chegando mesmo a ser motivo de rizada entre os apresentadores. E isso deixou-me irritado!!! Na minha opinião não souberam respeitar a cultura alheia! Que direito têm eles de achar-se donos da verdade, de que a monogamia é o melhor opção para o mundo? Já não bastou termos perdido mais de metade da nossa cultura e dos nossos sistemas de governo? Será que somos obrigados a adoptar o modelo de vida ocidental?? Com estas perguntas não quero que pensem que sou racista ou xenófobo ou whatever. Sou apenas um africanista que acredita que os nossos problemas teremos de ser nós a resolve-los, porque está mais que provado que com as ajudas externas não vamos a lado nenhum.

Pessoalmente sou adepto da frase – “Nem tudo o que vem de fora é bom!” – utilizada amplamente por muitos cotas lá na banda, quando querem se livrar dos debates com o pessoal que vem de fora. Aplico a frase a este caso, pois, no meu ponto de vista, muitos países africanos estariam melhor organizados a nível social, se a poligamia fosse aceite. Se repararem bem é algo que está enraizado entre nós mesmos. Vemos isso claramente entre os nossos familiares, onde encontramos cotas que sustentam mais de duas famílias ou têm filhos em tudo que é canto. Não sei se as mulheres acabam aceitando por conformismo ou por necessidade, mas o que é certo é que elas aceitam e pouco fazem para mudar isso. Das poucas que não aceitam, umas optam pelo divórcio, outras lutam a vida toda para ficar com o homem que lhes foi  “roubado”. As que vão pelo divórcio, são na maioria as que já experimentaram o estilo de vida ocidental. Não acham que poderíamos fazer coisas úteis, durante o tempo que perdemos com as intrigas entre casados, divorciados, amantes e etc. que se arrastam até quase o dia da morte da pessoa? Notem que o facto de aceitarmos a poligamia, não quer dizer que todo o homem tem de casar com mais de uma mulher. A mulher tem o direito de não aceitar ficar com um homem que já tenha outra, ou que venha a ter, pois para isso existe o divórcio. Não quero passar por machista com esse tipo de ideias, eu vivo no ocidente mas acredito que para África este é o melhor sistema, porque vamos lá ser sinceros, em  termos de relacionamentos, são mundos completamente diferentes.

Gostaria muito de saber a vossa opinião, principalmente das mulheres. Ao pessoal da South, o que vocês notam nos relacionamentos entre os sul-africanos? Também aí existe o mesmo tipo de intrigas que vemos em nossas casas?

Para concluir, quanto ao Jacob Zuma, eu não condeno os seus casamentos, condeno sim, os seus relacionamentos extraconjugais, para quem é presidente de um dos países mais desenvolvidos de África e que tem a obrigação de dar o exemplo aos demais. Se fizerem um pouco de “googling” facilmente encontrarão os seus escândalos extraconjugais. As suas atitudes (casamentos e relacionamentos) são fortemente criticadas a nível internacional, para um homem que defende a igualdade de direitos entre homens e mulheres. E a África do Sul é dos países do mundo com maior taxa de seropositivos, por essa razão as organizações humanitárias não se poupam nas palavras.

Peço desculpa não ter aparecido no blog com frequência, é que estou em exames, mas brevemente estarei mais activo.

Kandandu,

Naccy

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~ por naccy em Fevereiro 15, 2010.

23 Respostas to “Poligamia”

  1. Aqui na south parece que so o presidente e alguns “remotos” praticam esta poligamia de um jeito aberto, algumas pessoas com quem eu lido condenam a pratica homens e mulheres(negros, nem adianta falar dos pulas), sim é cultura, mas condeno quem vive de um jeito completamente ocidental e aproveita o factor cultura para fazer malabarices,,
    De um ponto geral os relacionamentos aqui sao como em angola e talvez como em tda parte do mundo, homens e mulheres, homens sempre mais infieis e mulheres a tentarem seguir o mesmo caminho,ha mulheres que aceitam ser a segunda namorada como ha mulheres que nao aceitam é tdo bem normal,,´
    quanto as kotas que aceitam ser a segunda ou ate mesmo a primeira esposa mais com o marido poligamo isso tem mais haver com o upbringing, i mean da outra vez a nossa avo dice, se vce jurou em frente ao padre que amas o teu esposo é porque amas e se vce ama nao vais lhe deixar porque ta com outra,e tmb se deixas esse fazes como pulas de homen pra homen???aiii velha madalena lol muitas mulheres pensam mesmo assim whats the point em deixar esse se o outro tmb vai me trair ¨¨whata hell¨¨???

    • EU estou acabando de chegar ao tema. Gostaria de escrever sobre a poligamia, tenho poucas referencias e gostaria que os senhores pudessem ajudar-me. abraços de Lisboa

  2. bom artigo primo nacy,,miss you bjx…

    dpoiz diz ainda o que pensas do conceito da poliandria,,nem sabia que existe isso aishh ai wena…

    • Oi primota, q bom ver-te por estas bandas!!! Espero q esteja td bem ctg. :D

      Bom, no meu artigo defendo a poligamia a favor d homem, mas num estado q zela pelos direitos iguais entre homens e mulheres, a poliandria deveria tb ser adoptada. Se isso acontecesse, o factor organizacional que é a base d minha tese, acabaria p desaparecer. Pois é dificil imaginar uma mulher casada c varios homens, q por sua vez teriam tb eles varias mulhers…whata hell!? heheh Outro factor importante a ter em conta, é a aceitação d homem a esse tipo d relacionamento. A mulher ainda é vista como “impura” qnd tem mais d um parceiro e dificilmente os seus parceiros têm a coragem d a assumir perante a sociedade. É um pouco injusto eu sei, mas ate a propria biblia condena esses actos o q torna td ainda mais complicado. Para ser sincero, tb eu n sei se teria a coragem d assumir uma dama juntamente c outro homem…apesar d respeitar as culturas poliandricas. A poliandria está quase extinta mas penso q ainda existe numa tribo algures em africa, n me lembro bem do país. Imagino q lá as mulheres devem ser vistas como deusas d fertilidade. Deve ser fascinante…

      Outra cena, so reparei hj q saiu esta semana um artigo mt interessante sobr este tema no semanario angolense (ed. 354), em “epistolas do ocidente” de Sousa Jamba. Dêem uma vista d olhos.

      Ya mena, bj grnde
      miss u

  3. eh sempre com cuidado que se deve debater temas tao polemicos como esse, achei a tua pesquisa cuidada e isso ajuda bastante a afastar os preconceitos. alem das envolventes cultural, religiosa, economica e sociologica devemos ter em conta a envolvente afectiva, eu penso que quando alguem se posiciona contra a poligamia, ou acha que eh um comportamento barbaro pensa que nesse tipo de relacionamentos o amor nao existe, o afecto nao existe e que um homem ou uma mulher o faz apenas por causa de sexo. interessante seria nos perguntarmos se eh possivel amarmos mais do que um conjuge em simultaneo. numa sociedade em que se aceita abertamente a poligamia como parece ser a sociedade sul africana, ouvir condenacoes de fora e mesmo de dentro dessa sociedade so demostra um certo paternalismo e intolerancia de quem o faz, boa parte dessas pessoas se julgam defensoras dos direitos das mulheres ou pessoas “evoluidas”, quase nunca se preocupam em saber que pensam essas mulheres casadas com o mesmo homem sobre a poligamia.

    • valeu pelo seu comentário, keita, espero que os teus coments não fiquem por aqui, e que se possível que mais cantores de hip hop prestigiem este espaço, ja que tem sempre uma opiniao formada e bem fundamentada sobre a maioria dos assuntos.

      one!

  4. Keita fico mt contente p estares atento ao blog. Sou um grande admirador da tua musica, continua assim!

    Realmente a nivel sentimental poderá ser mais dificil analisar a questão, principalmente do lado d mulher. A estatistica diz q nos paises poligamos as mulheres aceitam abertamente e até vêm algumas vantagens nisso. Ja na nossa sociedade nao faço a minima ideia como estajam as opinioes.

    Se não me engano o mesmo sr q propos as alteracoes verificadas na constituiçao d angola, tb quis propor a entrada d poligamia. É so uma ideia que dificilmente voltará a ser debatida no parlamento, nao foi a imperceptibilidade q teve esta proposta.

    Forte kandandu keyta!!
    Volta sempre
    Naccy

  5. Poligania… palavra bonita para alguns e feia para outros. Mas eu começaria por dizer que a poligamia não é por si um erro humano como também foi um erro da lei divina. Nos primordios da criação quando a terra ainda era muito desabitada Deus Sugeriu e permitiu, que os homens que tivessem posses na altura podessem albergar mais de uma mulher. Mas hoje em dia isto ja não é permitido, porém também não é permitido nem na biblia. Pois a era da lei Moisaca (ou se preferirem Lei dada a Moisés) caiu em desuso apartir do momento em que Jesus passou a considerar que isto era uma prática ilícita. Na cultura dos islamistas, isso é permitido sob condiçãoes já ditas num paragafo acima. Respondendo a sua pergunta ou análise eu diria que para o seu povo isto não é um desrespeito, mas ele tradando-se de um presidente e dirigente de um país deste gabarito, não é de bom vento possuir mas de uma primeira dama. Mas como na sua cultura isto demostra poder então eu diria regras de casa alheia são para serem respeitadas ainda que não intendidas ou aceitadas por nós. One Love. Um abraço mano.

    • hei yo huck finn mo primoto, gostei de teres dado o teu contributo! todos os primos devem expor a sua opinião. se podessemos, esses assuntos seriam discutidos no quintal da mãe, ou no da maianga mas enfim… :p
      vejo que estas bem a par desse assunto, no que se refere à opiniao da biblia. eu ouvi que a poligamia era permitida para permitir um maior e mais rápido crescimento da polulação, para que fosse cumprido o texto de genesis 1:28. não diria que foi um erro divino, só um recurso que se justificava na época.
      de facto, jesus cristo foi o fim da lei (mosaica), ainda bem que tocaste neste ponto, não foi so esta lei que desapareceu, como também a lei do sábado, entre outras.
      realmente acho que não é de bom tom, num país com uma das maiores taxas de infectados p HIV, um president possuir muitas mulheres, talvez, por isso ser criticado pela comunidade internacional e org. umanitárias. a ideia é de que cada pessoa só com um parceiro, evita a proliferação da doença.
      mas realmente, se existe amor /fidelidade entre todos, quem somos nós para criticar esse tipo de uniões.

      esse post realmente ta a dar ke falar hehehe!
      esse

  6. a minha opiniao sobre esse assunto eh similar a da meninha… acho q a nossa posiçao com relacçao a questao, como tudo nesse mundo, eh muito, se nao totalmente condicionda pela nossa educaçao. uma vez dito isso, acredito que a poligamia, mais concretamente a poliginia, eh mais uma conveniencia para os homens. digo isso porque a minha observaçao aliada a minha logica levaram-me a chegar a conclusao que as mulheres envolvidas numa relacçao poligama tem todas caracteristicas diferentes. sendo impossivel encontrar a parceira perfeita, acredito que os homens hoje em dia “coleccionam” os atributos dejesados atraves desta via. continuando com esse raciocinio e partindo do facto de q as parceiras sao todas diferentes, temos a questao ja colocada num outro comentario: seria possivel amar todas as parceiras numa relacçao poligama? sinceramente acredito q sim. talvez nao amar propriamente, mas alimentar sentimentos fortes por elas. um facto eh que esse sentimento nao seria igual para todas, resultando numa relacçao nao equitativa e originando o fenomeno da “mulher principal”. sabemos q este eh um fenomeno comum q gera grandes disturbios neste tipo de relacçao. outro ponto eh a questao das “malabarices” mencionada pela meninha e q acredito ser a razao pela qual o Zuma eh motivo de xacota (o Zuma eh um malabarista, acreditem). se for para defendermos a poligamia por razoes culturais entao q façamos isto. mas para fazermos isto, temos q ter um entendimento real da questao. a poligamia eh muito mais complexa do q ter multiplos parceiros. eh todo um sistema organizacional com encargos para todas as partes. se optarmos pela adopçao deste sistema, temos q ser educados quanto as suas envolventes e tambem devemos criar plataformas de apoio a tal practica. isso leva-me ao meu proximo ponto: a ocidentalizaçao. eh um facto q a maior parte das sociedades com qual nos temos maior contacto adoptaram o modo de vida ocidental. isso inclui a nossa propria sociedade. temos q entender q a poligamia no contexto tradicional era apenas mais um sistema ao lado de muitos outros q davam vida ao organismo q era a sociedade tradicional. nao eh prudente incorporarmos elementos isolados da nossa cultura e introduzir-mo-los na nossa sociedade actual. para mim isso eh como transplantar o rim de um homo habilis para um homo sapiens. eh capaz de funcionar mas os resultados sao imprevisiveis. isto tem estado a acontecer aqui na africa do sul, o q cria a chance para um certo oportunismo por parte das pessoas (sendo as mais notorias o Jacab Zuma e o Julius Malema). quero com isso dizer que elas recorrem aternadamente aos costumes ou a lei ocidental conforme a sua conveniencia. a sociedade ocidental nao tem suporte para este regime. como realizar um casamento poligamo em comuniao de bens? como manter a paz num lar poligamo? sim, porque na verdadeira poligamia, apenas existe um lar e “todos filhos” sao “filhos de todos”. como ter uma poligamia viavel em pleno seculo 21? como entender um presidente capitalista e democrata q afirma com unhas e dentes ser tradicionalista? dizemos q temos q ir repescar os usos e costumes da nossa terra, mas q terra eh essa? o reino do Ndongo ou a Nova Lisboa? essas sao questoes q devemos levar em conta antes de implementamos tais politicas. dizem q temos q voltar as nossas raizes. isso nao significa arranca-las do subsolo e traze-las ate nos mas sim sairmos de onde quer q estejamos em direcçao ao subsolo de encontro a elas. espero ter me feito entender.
    e para finalizar, queria fazer duas observaçoes ao comentario do paulo (e do man sebas hahahaha). primeiro, devemos ser mesmo nos a criticar nao so esse tipo de unioes, mas tambem todos os outros assuntos de impacto social ou pessoal. contudo, devemos ser justos, sinceros e honestos nas nossas criticas, procurando o entendimento e nunca o dominio. segundo, nao existe nenhuma passagem biblica onde Jesus revoga (explicitamente) a lei mosaica, pelo contrario, Ele diz “Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim revogar, mas cumprir.” (Mateus 5:17). mas esses sao outros assuntos. Peace!

    • Victor respeito a tua opinião e acredito que tocaste em pontos fulcrais tais como a adopção parcial da cultura e problemas relacionados ao civil. Também eu me debative com várias questões do género antes de me por nesta posição.

      Sem dúvida que seria necessária uma análise profunda sobre até onde defendemos os nossos valores culturais. E nessa matéria, Angola está bastante longe de outros países bem mais africanistas. Mas um aspecto importante, é que nós fomos obrigados a adoptar uma postura ocidental mas que na prática, em alguns casos, não se verificam, porque tudo isso foi-nos imposto à força. E as relações conjugais é um exemplo. Sim, a educação influencia bastante a nossa posição, mas eu acrescento que, talvez aí tenha estado o nosso erro, nosso e dos portugueses, porque em 500 anos de ensinamentos, houve certos valores que até hoje não conseguimos adquirir. É óbvio que não podemos chegar aqui e instaurar leis que nos convêm. Será necessário, antes de tudo, fazer um estudo prévio de países modelo, como a África de Sul, para se avaliar a viabilidade deste sistema e perceber problemas inerentes a ele. Se fosse viável, então adoptar-se-ia, mas claro que seria necessário introduzir barreiras para impedir problemas semelhantes aos desses países. Aí estria o nosso génio africano! Na minha opinião, não temos de adoptar costumes estrangeiros só porque lá funcionam. O problema é que aqui não funcionam, ou pelo menos teimam em não funcionar. Há países que conseguiram encontrar soluções ao casamento gay e esse é um tema tão polémico como a poligamia. Se a solução para os nossos problemas não se encontra na poli, então sejamos homens e actuemos segundo os nossos princípios (ou os que nos impuseram). As pessoas que devem dar o exemplo na nossa sociedade – os próprios pais, dirigentes políticos, figuras públicas, etc. – não o fazem e assim torna-se difícil chegar ao perfil desejado para a nossa Angola.

      No problema que tocaste sobre a “mulher principal”, eu vejo isso como uma vantagem, mas posso estar enganado. Na minha opinião, esses problemas são os que existem hoje e com a poliginia todas seriam “as principais”. Eu defendo isso, porque a mim afectou-me directamente. A minha velha até hoje ainda sonha em reatar a relação, é impressionante. Sobre a questão <> acredito que isso seria um problema íntimo para cada lar. Mas pergunto-te, não seria uma forma de acabar com os “filhos bastardos”?

      Abrç
      Naccy

    • *Sobre a questão “todos filhos” sao “filhos de todos” acredito que isso seria um problema íntimo para cada lar. Mas pergunto-te, não seria uma forma de acabar com os “filhos bastardos”?

      (Esse mambo comeu algumas palavras no texto anterior)

      Peace,
      Naccy

  7. A mim dá-me muita graça as circunstâncias em que nos convém ser “africanistas”.

    Certo está que “nem tudo o que vem de fora é bom”. Mas o que muitas vezes (ou quando nos convém) esquecemos é que nem todas as tradições têm que ser mantidas, nem todas as tradições estão correctas ou são positivas para a nossa evolução. Há multiplos exemplos de tradições milenáres africanas que são uma… aberração. A mutilação genital feminina, por exemplo.

    Deste modo quero dizer que lá por ser tradição e somente por isso não quer dizer que esteja correcto. O mesmo se aplica à poligamia.

    Do meu ponto de vista, a poligamia (neste caso poliginia) só vem aumentar as desigualdades entre homens e mulheres. É evidente que defendo que devemos ter os mesmos direitos e deveres numa sociedade, e em Angola ainda estamos longe. Se analisarmos este tema dos relacionamentos chegamos facilmente a essa conclusão.

    Neste teu texto, Naccy, reparei que a única vez que referes os direitos das mulheres é quando dizes “A mulher tem o direito de não aceitar ficar com um homem que já tenha outra, ou que venha a ter, pois para isso existe o divórcio.” Não sei se te esqueceste de alguma outra coisa a que a mulher tem direito neste assunto ou se revelas um lado machista, por mais que tenhas tentado dizer que não. hehehe ;-)

    Se há poliginia que haja também poliandria. Que as mulheres não tenham que aceitar a poligamia porque sabem que vão ser traidas. Que a traição masculina não seja encarada como normal e a feminina como falta de principios morais e religiosos. Que deixem de haver claras expressões de machismo na sociedade angolana como é o caso do famoso e “engraçado” DIA DO HOMEM.

    Sim, queremos recuperar as nossas raízes históricas, culturais, sociológicas e antropológicas. Não, não queremos importar modelos ocidentais cegamente. Sim, queremos analisar o que é que vale a pena manter e o que rejeitamos da nossa própria cultura – isso é evoluir. Sim, devemos aprender com os erros dos outros.

    Anyway, acho sempre bom discutir qualquer tema. Mas discordo quase violentamente do que tem vindo a ser dito. Já para não dizer que começar com o exemplo do Jacob Zuma, que na verdade não é qualquer exemplo nesta matéria (e em muitas outras)… parece-me arriscado.

    E há um factor importantíssimo que deve entrar nas nossas análises. A poligamia contribui definitivamente para um aumento da taxa de infecção do HIV na África subsariana.

    Só para terminar, para comentar o que disse o nosso amigo Keita (que certamente estará agora a pensar que sou das “paternalistas intolerantes defensoras dos direitos das mulheres que se julgam evoluidas” hehehe). Acho muito bem meter-se a questão dos sentimentos… E que relações abertas são muito bonitas, mas se isso valer tanto para homens como para mulheres estamos juntos nesse barco. =)

    Que siga a discussão.
    Kandandu,
    Kukiela

    • Kukiela estávamos mesmo a precisar de uma opinião como a tua (thanks god!). Também já esperava ouvir que estou a ser machista e vou contra os declaração dos direitos do homem. :D

      Sabes, no meu estudo sobre este caso, o que mais me espanta são as nossas mulheres estudadas e viajadas(!) mas que aceitam entrar numa relação deste género sem grandes reclamações. Um exemplo concreto é o das mulheres de falecido Savimbi. Ora, isso leva-me a crer que são os valores transmitidos pelos pais e pela sociedade onde se cresce. É possível mudar a mente do povo? Sim é, mas será um trabalho difícil e como disse acima, 500 anos parece que não foram suficientes. Ou em Angola começa-se a assumir atitudes mais responsáveis, ou continuaremos a viver num mundo de hipocrisia. Será que vale a pena viver assim, onde todos defendem certos direitos e deveres, mas a maioria não os cumpre? Ou será melhor melhor assumirmos a nossa verdadeira faceta?

      Sou sincero, o meu estudo leva apenas em conta as pessoas que me rodeiam. Necessito conhecer um pouco mais a mente feminina entre o povo para tirar as minhas conclusões. Isto ainda não é um problema em si, mas com o desenvolvimento de Angola, acredito que este debate irá surgir.

      Cumps,
      Naccy

      • Naccy,

        Outro erro frequente é pensar que por sermos estudados e viajados fazemos sempre tudo bem. Isso não é garantia de nada.
        Parece-me que te dedicas mais a analisar e descrever o que existe, as mentes e as religiões, que aplicar um espirito crítico que me parece necessário. Fiquei sem perceber a tua opinião no final… Queres ou não que se mudem as mentalidades sobre este assunto?

        Anyway, ainda que seja uma maioria a defender ou a agir desse ou daquele modo não gosto muito de conversas de que é esse o mambo que estamos com ele, estilo “aqui em Angola o mambo é assim”. A hipocrisia vai existindo mas as conversas como esta também. E mudar mentalidades temos que preocupar-nos em mudar a nossa primeiro, que isso de mudar a mentalidade do povo…
        Mas para TUDO, é step by step, estou contigo.

        Agora, outra coisa é não assumir valores básicos como a igualdade. Pôr isso em causa? Xé, comé… =)

        Na paz,
        Kukiela

        • Kukiela,
          Sei que muita gente quando lê este texto pensa “lá vem mais um tarado armado em espertalhão”. Isso não me preocupa. As questões que apresento aqui, acredita que muita gente as tem, mas prefere pensar “baixinho”.
          Sim concordo contigo que um homem deve guiar-se pelos seus princípios. Mas defendo que não deva guiar-se cegamente, ao ponto de ignorar as consequências adversas que isso possa trazer ao seu povo. Eu por exemplo, aceitaria a poliandria em Angola desde que isso reflectisse a vontade do povo e contribuísse para o nosso desenvolvimento. Mas não aceitaria partilhar uma mulher com outro homem porque hoje tenho princípios difíceis de mudar.
          Claro está que lutamos para um mundo melhor, onde a justiça e a igualdade de direitos imperem. Mas acontece que nem sempre o que é justo nos leva a evolução, pelo menos nesta época. Talvez por isso o comunismo tenha falhado. Também, nem sempre o moralmente correcto é a melhor solução. O aborto é um exemplo disso. Todos sabemos que é incorrecto, mas vemos até os governos mais conservadores a terem de refazer as suas leis, porque é a vontade do povo. My point is não existem verdades absolutas. E não aceitar este facto, limita-nos o campo de visão em certos assuntos. Vim lançar este tema, com o mesmo espírito que levou Einstein a duvidar da física clássica, pondo em causa conceitos irrefutáveis como o tempo e o espaço. Um cientista deve manipular todas as variáveis do seu sistema de modo a tirar conclusões. Ou seja, a igualdade de direitos, por mais justo que seja, poderá não se aplicar (pelo menos no seu todo) em certos casos. Experimenta debater este tema com ocidentais e verás que serão prontamente contra, já com africanos as opiniões se dividem. Serão eles mais justos que nós? Acredito que não. Acredito que eles olham ao seu redor e tiram as suas conclusões, da mesma forma que o fazemos.
          Se por um lado temos uma sociedade machista, por outro, as nossas mulheres tardam em dar o step para realmente usufruírem dos seus direitos, continuando excessivamente dependentes do homem. Isso acontece talvez porque esses direitos lhes foram “oferecidos”, não lutaram por eles. Esses ingredientes, adicionados à outros males importados das sociedades modernas, contribuíram para a linda geração que temos hoje. Onde os homens sofrem de algum tipo de exibicionismo compulsivo e as mulheres tornaram-se caçadoras “parte-braço”. Step-by-step, dizes tu. Eu contraponho dizendo que vamos pelo caminho errado. Talvez adoptámos certos valores para os quais ainda não estávamos preparados. E como resultado temos uma sociedade confusa, onde um estrangeiro que chega, acha muita piada.
          Por fim Kukiela, uma vez que a poligamia foi aceite na África do Sul em pleno século XI, o que achas das mulheres que aceitaram viver nessa condição?
          Continuamos juntos,
          Naccy

  8. Naccy,

    =)

    Apresentaste aí argumentos muito interessantes mas alguns um pouco “tramposos”, como se diz aqui em Espanha. =)

    Começando pelo começo, o que pensa uma maioria não tem porquê estar correcto só por ser a maioria. A História de muitos paises confirma. É uma das makas da democracia… E levaste o tema do certo e errado para um plano de discussão demasiado amplo e vago. Acho que nos afasta do que estamos a discutir em concreto, que é mais simples. Creio eu…
    Mas ainda assim:
    A mim parece-me que sobrepor a “evolução” à “ética” ou pensar que são dois conceitos incompativeis na prática é outra das grandes makas que temos. Vê o que a evolução tecnológica e uma ilusão de bem-estar associado trouxeram ao Planeta: insustentabilidade ambiental e desigualdades brutais entre o Norte e o Sul.

    Ufff… epa, eu acho mesmo que o caminho certo é realmente por esses valores fora de moda e nada rentáveis de igualdade e justiça e etc que tu crês que podem atrasar a nossa evolução. É um pouco a mesma história da construção dessas magnificas torres espelhadas na baixa de Luanda. Evolução ou incremento das injustiças sociais? Que prioridades temos? Uma torre para a Sonagol ou casa e escola para o povo? Outras makas pra discutir outro dia… =)

    Mas tocaste num ponto que me chamou muito a atenção que é o machismo das próprias (algumas) mulheres africanas, que se manifesta também ao aceitarem a poligamia. A verdade é que assumir que somos iguais em direitos e deveres implica compromissos que muitas vezes não queremos, não nos convem nem apetece. Eu acho que geralmente muitas mulheres aceitam a poligamia por comodismo, por medo, pela crença cega na tradição (se todos meus antepassados fizeram assim…) ou porque muitas vezes estão numa situação de dependencia económica voluntária ou não.

    “Se por um lado temos uma sociedade machista, por outro, as nossas mulheres tardam em dar o step para realmente usufruírem dos seus direitos” – estou contigo.

    …E… =) Já sei que muita gente pensa como tu, que tu dizes e outros tantos pensam baixinho mas isso não me impede de discordar =)

    Na paz. Kandandu,
    Kukiela

  9. Primeiramente tenho que dar crédito a pessoa que escreveu esse artigo, realmente é um tema bastante polémico. Mto bm elaborado, melhor impossível!!!
    O que tenho a dizer não difere muito do que já foi dito anteriormente.

    Eu mto sinceramente não sou a favor da poligamia – não sou egoísta, apenas gosto de zelar por aquilo que é meu, se o meu pareceiro não me divide com ngm, porquê que tenho que ser eu a dividir com outras? – respeito a cultura de cada um assim como espero que os outros respeitem a nossa cultura e não só, outras tbm, isso de tarem a fazer a vida do Zuma uma piada é mto desagradável, para mim não passam de ignorantes.

    Temos que ter em conta que a nossa sociedade não é poligama, mas sim tem-se relacionamentos extra-conjugais e o que é muito diferente da poligamia (isso já foi referido num dos comentários mais acima). Acredito que os nossos antepassados eram poligamos, razão pela qual até hj pergunto-me porque razão a minha avó criou tantos filhos do meu avô, sem problemas, parecia tudo normal…

    Não sei a quantas é que anda a nossa sociedade quanto a esse assunto, porque qdo eu achava que ela não era favor da poligamia (apesar de ainda termos comunidades no interior do país que praticam a poliginia) deparo-me com situações contrárias ao que pensava; há uma semanas atrás debantendo esse mesmo assunto com alguns amigos venho a descobrir que uma amiga não se importa que o seu namorado tenha outra namorada desde que ele dê a conhecer que tem outra relação (tal declaração deixou-me chocada em pleno séc. XXI, acho que ficaria menos chocada se ela me tivesse dito isso se referindo ao marido, mas ao namorado??? That’s jst too much for me). Portanto, não me espanta nada que a pessoa que propôs as alterações na nossa constituição tbm queira propôr a poligamia, resta saber se ele está a propôr os dois lados da poligamia ou não, mas vindo do um homem não duvido muito queira apenas propôr a poliginia, se tiver a propôr tbm a poliandria e, se isso chegar acontecer, hahah, agora é que são elas… Será declarada a “Guerra Dos Sexos”. (Acho que deveriam tar a pensar em mudar o nosso código penal ao invés de tarem a propôr a poligamia).

    A poliandria felizmente está extinta mas ainda é praticada em algumas zonas tais como: Sri Lanka, Uzbequistão, Tibete, nas montanhas do Himalaia, norte da Índia. Há também uma religião nos E.U.A. chamada Mormon Fundamentalism, que pratiram ou praticam a poliandria, nos dias de hoje os crentes desta religião variam entre 6000 a 8000 e Mormonism que têm cerca de 20000 crentes aonde cerca de 15000 ainda pratica a poligamia – falar de Mormon é bastante complexo – (takes a LONG time to talk abt it).

    Mas é, apenas citei alguns lugares aonde a poliandria ainda faz parte da cultura, como já disse o Victor poligamia é muito mais complexo do que alguém ter vários parceiros. As “traições” tem sido a coisa mais comum nos ultimos tempos. Agora que todo o mundo, mas propriamente as mulheres entraram numa de direitos iguais; tamos numa de “Toma Lá, Dá Cá” e é o que tenho dito “Essas modernices andam a dar cabo de tudo o mundo” é ai aonde se aplica a “ocidentalização”, não somos obrigamos a nos adaptar o modelo de vida ocidental, já nascemos numa sociedade aonde os nossos pais já se tinham adaptado a esse estilo de vida.
    Ser africanista consite no vestuário, linguagem (são raros os jovens que falam alguma língua nacional), alimentação, e etc. etc. Isso significa dizer que querendo ou não, já nascemos com lacunas nos nossos rituais Africanos e tentar mudar isso agora é tanto qto muito trabalhoso, temos é que preservar aquilo que ainda nos resta de Africanistas!

    One Love,
    Nair

  10. Oi pessoal,
    Este tema é muito importante, and thanks naccy por teres posted aqui.
    Bem há alguns anos atras, não se ouvia falar mt sb a poligamia, mais ate o JZ aka Jacob Zuma se tornar presidente, e depois de se casar recemente (uma vez mais e ja como presidente da africa do sul) este assunto ficou na boca do mundo.
    Alguns acham engracado e riem-se do povo, porque tem um presidente com “ways um pouco duvidoso” e uns vao alem, e dizem que as esposas do JZ sao analfabetas e ignorantes porque aceitam este comportamento do JZ.
    Bem eu nao concordo quando ridicularizam o JZ, porque ele tem a sua cultura e ele fazendo parte desta cultura, (presidente ou nao) tem liberdade de seguir o que ele quiser. A propia constituicao sul africana( que a foundation p/ as policies do pais) garante que este direito nao seja retirado das pessoas, porque elas sao livres de seguir a sua cultura( e religiao-mais isto e outra cena).
    Acima de tudo ele tem os seus valores morais e eticos( tambem nao quero dizer que JZ e um santo, but I mean he has his beliefs, e prefiro nao comentar acerca de outros casos k ele tem ), e deve ser respeitado. As esposas do JZ foram educadas de uma forma, a aceitar a poligamia por isto devem ser respeitadas tb, at porque ninguem sabe o que acontece entre as quatro(ou sei la quantas) paredes.
    Ate onde eu sei, a poligamia em angola nao e aceite legalmente (agora moralmente, tb e outra estoria), mais sei que os nossos antepassados practicavam este “costume”. O ano passado tive uma conversa com um casal (ja mais velhos), e o tema foi mais ou menos este. Nos estavamos numa road trip, a ouvir boa musica angolana, e derepentemente, a musica do matias damasio “A OUTRA” comecou a tocar. Entao o sr. Perguntou o que as senhoras achavam sb o que ele dizia. A teoria dele e que se a poligamia se tornasse “legal” a sociedade teria menos problemas.!! Verdade ou nao, ninguem sabe, mais ele defende a poligamia( nao sei se e pelo facto dele ser mulherengo), mais ele disse que as pessoas pensam logo em sexo qnd se fala sb a poligamia se tornar legal in our angola.
    As mocas hoje em dia, nao sei se aceitariam a poligamia, no meu caso, eu so contra, nao sei se da maneira que fui educada(nao so pelos meus pais,mais tb pela propia sociedade), nao se s resultaria hj em dia.
    Depois de mt “falar” gostaria de dizer k ameiiiiii o vosso blog, e gostaria de sugerir que um de vcs focasse no aspecto da “aculturacao” que na minha opiniao tb esta relacionado a este tema, mais n quero mais me alongar.
    Um Bj, Naccy, Claudio, Paulo Sergio, e Victor(tahnks for t toke) valeu!

  11. Este e realmente um tema polemico…..alguns detalhes a pensar:
    * “Segundo as minhas fontes, a Bíblia não a condena, podendo até serem encontradas algumas referências no Velho Testamento com o Rei Salomão (Reis 11:3) ou com o Rei Davi (2 Samuel 5:13)”- Mas com a suposta vinda de Cristo, o Velho Testamento deu lugar ao Novo Testamento, e ao Cristianismo, que condena a poligamia. Sociedades Cristas, secularmente, nao apoiam a poligamia.
    Sociedades muculmanas fundamentalistas, aceitam a poligamia na vida secular. Contudo, limitam o numero de mulheres a 4 e insistem que o homem tenha capacidade de prover a cada mulher (de maneira igual) apoio emocional, fisico e financeiro. Tais sociedades estableceram que um homem com mais de 4 mulheres, nao e capaz de dar este tipo de apoio a cada mulher, sem causar invejas e discordos. Faz sentido.

    No caso dos nossos Africanos, qual e’ o beneficio da poligamia na vida secular? Vejo que beneficia a homens mas nao a mulheres. No caso em questao de JZ, primeiro casamento nos anos 70, nao teve filhos…sabemos que isto e’ o suficiente para justificar ‘arranjar outra’. Arranjou outras….ainda assim, tem no total 20 filhos, 8 dos quais nasceram de maes que nao sao as suas esposas. E ja’ deu o alambamento para mais duas noivas!! Qual e’ o beneficio deste comportamento do seu Chefe de Estado, para sociedade Sul Africana? E’ mesmo pra rir! A realidade e’ que as mulheres nestas relacoes, nao tem a ‘opcao’ ou o “direito de nao ficar com” tal homem. Que futuro terao elas na sociedade? Sao divorciadas, separadas, zangadas com os arranjos, or what? Podem casar novamente? Com outro poligamo que talvez seja nicer? Quantos poligamos querem como segunda , terceira ou quarta mulher, uma que tenha mais que 25 anos e 5 ou mais filhos?

    Como alguem comentou, nao acho que a poligamia e desenvolvimento politico-social possam coexistir. Contribui para mentes subjugadas e dependencia economica.

  12. Ai que bom debate. Esto muito feliz porque estamos em pleno debate sobre a relação homem e mulher…Eu voltei em angola e o que constato em relação a isto e consternante. Qual relação entre o homem e a mulher? Parece-me que não podemos comparar a nossa sociedade com a sociedade AFRICANA. Meu marido é Nigeriano, tive muitos amigos senegaleses e marroquinos e a relação que eles tenhem com a mulher me parece muito mais respeitosa, bem que menos libertina que nossas relações aqui en Angola. O sexo não e exposto em todo canto. As mulheres não passeiam meio nuas a tentar por todos meios atrair os homens. A mulher e VENERADA…se bem que idealizar a mulher traz também os seus problemas (veja o caso da Amina na Nigéria condenada à lapidação)…também não e isto que queremos…as mesmas sociedades que aceitam a poligamia, tenhem uma visão muito categórica da mulher. Ela e PURA ou IMPURA.
    Nem tudo o que e tradição e para guardar. A sociedade Angolana não e bem Africana, ela já e mestiça, com misturas pelas influencias que não são mínimas : Cubanos , Chineses , Brasileiros (as telenovelas influenciam). Então…nisto tudo…que confusão aqui em Angola. Os africanos de outros países se escandalizam, os europeus aproveitam desta zona sem fronteiras, sem leis. Sim porque onde não ha lei, a perversidade. Vejam como os adolescentes se comportam aqui. Banalizando aos 12 anos já o ato sexual, já não se fala de ter namorado, agora e “ficar” e trocar quase cada dia de parceiro.
    Então não me falem de Africanicidade aonde só ha falta de limites.
    Eu vejo na proibição da mulher de ter vários ou seja só um amante em angola algo de positivo…talvez nos mulheres ainda somos por algum lado “veneradas” como nossas mães antepassadas. No dia que o homem com indiferença aceitar que fazemos tudo o que nos passa pela cabeça…ai chegamos ao fim. Sim porque as gerações estão baralhadas…já não se sabe quem e filho de quem, as famílias já não estão delimitadas. A mulher aqui aceita tudo (e sou testemunha de ver o sofrimento de muitas mulheres que estudaram e estão socialmente emancipadas, que vivem a pior das humilhações com os maridos). Sim porque não se trata nada mais do que uma humilhação de ver seu marido sair à noite para ir ao apartamento do prédio em frente onde ele instalou o apartamento da segunda. Humilhação de ver o marido trazer a amante em plena festa de casamento de um conhecido…etc. etc.
    Homens chega de hipocrisia e chega de tentarem disfarçar por Africanismo o que não posso chamar de outra maneira que : falta de respeito pela mulher. E agora a família que era único núcleo para tratar de assuntos de direito…(sim porque não podemos contar com os nossos tribunais e a causa da mulher aqui ainda esta longe de ser promovida). Então eu diria para terminar: Nem em África, Nem em Europa estamos…estamos num buraco negro como se diz na linguagem científica…uma zona não identificada onde tudo e permisso…e quem vai pagar? nossos filhos claro.

  13. Sou estudante de Direito, tenho 24 anos, tive ensinamentos cristãos e vivo um casamento poligamico, aqui no Brasil. Sou casada há oito anos e tenho duas filhas e aceitei que meu marido obtivesse uma segunda esposa… Tenho nela uma amiga que há muito tempo procurava e em relação ao meu marido, tenho certeza de seu amor e vivemos todos muito bem… Não há maldade e sim companheirismo e amizade. E a unica coisa que tenho ha dizer, é quem o Estado não teve intervir em algo tão particular como a escolha e a manutenção de uma familia… rs. Em breve escrevo mais.

    Jessica.

  14. Sou mulher, e se a poligenia pode ser adotada, a poliandria também deverá ser. Direitos iguais meu caro. E isso de ver uma mulher com vários homens ser algo impuro, nada mais é que uma opinião social do patriarcalismo, muito forte e comum aí no continente africano (sou brasileira). Daí o porque de muitas dessas esposas “aceitarem” esse tipo de coisa.

    Sem contar que o número de homens e mulheres é equilibrado, se todo homem resolver se casar com mais mulheres, vai faltar homem, ou um vai ficar com 4 e outro só com uma, e outro sem nenhuma. Haveria um desiquilíbrio.

    Fico triste com a situação de muitas africanas, um continente onde o patriarcalismo oprime de muitas formas a mulher ainda. Mulheres lutem por seus direitos, vocês podem mudar essa situação, tenham certeza disso.

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